A valorização da cultura afro-brasileira no currículo escolar
Enviada em 05/09/2025
O geógrafo Milton Santos descreve a “Cidadania Mutilada” para descrever direi-tos que a maioria da população não tem acesso. Dessa forma, a cultura afro-brasi-leira não tem a devida relevância no cenário escolar, contribuindo para segregação e esquecimento de um direito constitucional. Sob essa perspectiva, cabe ressaltar a falta de valorização cultural generalizada e os padrões de preconceitos e desvalori-zação escolar como causa para esta problemática.
Diante disso, é necessário entender como a cultura afro sofre com mecanismos de esquecimento identitário. A partir dessa realidade, é notório uma série de estru-turas sociais com intuito de atenuar a propagação e expressão de um povo majori-tário. Com isso, a identidade africana sofre diversas vezes na história com precon-ceitos, criminalização e racismo. Análogo a isso, o escritor Nelson Rodrigues exem-plifica o termo “Complexo Vira Lata”, para definir pessoas que desvalorizam suas próprias raízes em função de outras. Nesse contexto, vetores como a estrutura cul-tural brasileira, a precária situação escolar e a globalização, culminaram no esque-cimento de danças, histórias, roupas, etc.
Além disso, os mecanismos educacionais durante a formação do atual Brasil, geram ciclos de favorecimento de uma cultura europeia. Desse modo, o Movimen-to Modernista criou uma vertente de valorização nacional exaltando a miscigena-ção e cultura nacional. Porém, traços de uma cultura externa e dominante nunca foram ameaçados por movimentos literários ou sociais. Nesse cenário, vanguardas europeias, valorização do exterior, resultaram em uma base educacional inconsti-tucional que não reverbera a cultura popular brasileira.
Portanto, é necessário a formulação de mecanismos de intervenção. Para tanto, cabe as Secretarias de Educação, por meio do Ministério da Educação, órgão res-ponsável por medidas educacionais, formular festivais e seminários para reavivar e disseminar a cultura africana para promover a valorização identitária no âmbito es-colar. Ainda mais, com as Mídias Sociais, por intermédio do Ministério da Cultura, promover propagandas de alerta e elucidação da importância de manter as tradi-ções, promovendo a educação nacional e a generalização de um direito constitu-cional.