A valorização da cultura afro-brasileira no currículo escolar

Enviada em 11/09/2025

O Brasil ainda carrega chagas de seu período escravocrata, época em que os escravizados eram proíbidos de expressar sua cultura. Apesar do avanço na luta anti-racista, não é expressiva, na formação escolar, a quantidade de conteúdos referentes às heranças sociais afrobrasileiras. Deste modo, tal circunstância infortúnia deve-se tanto à continuidade de pensamentos antigos, como ao eurocentrismo.

Diante desse cenário, nota-se que a tradição de marginalizar a arte do povo negro continuou mesmo após a Lei Áurea, como evidenciado pela Lei da Vadiagem na Primeira República, ou pela CPI dos Pancadões em São Paulo. Nesse caso, essas atitudes são refletidas na escola ao passo que o estudo desse povo trata-se, majoritriamente, de fracassadas revoltas, como a do Malês, e à Inssureição Baiana, só que o seu maior sucesso — a abolição — é respaudada à estrangeira Inglaterra. Destarte, o ensino de história do preto no Brasil atua para diminuir sua resistência e identidade; logo, é preciso mudá-la para trazer o ponto de vista dos explorados.

Paralelamente, estuda-se Camões, por indentificá-lo como antecessor da literatura brasileira, embora poucos de nossos antepassados tenham sido seus compatriotas em comparação aos de outras nacionalidades. Nesse viés, a educação ao ensino médio ainda se encontra na Belle Époque, resgatando suas raízes europeias, desbravando até leituras britânicas, todavia, nenhuma africana, descartando parte considerável de heranças culturais por essa negligência.

Portanto, para valorizar a cultura afrobrasileira no currículo escolar, faz-se mister, romper com tradições que a marginalizem e com o embranquecimento de matérias de humanidades. Para tais tarefas, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) deve adicionar à Base Nacional Curricular Comum: literatura africana antiga —a fim de ensinar sobre artes ancestrais; lutas porreinvindicações do povo negro, assim, em retospecto, o cidadão entederá que nem só de derrotas se vive o trabalhador. Concomitantemente, a capacitação de professores para essas novas disciplinas deverá ser realizadas em parceria dos Governos Estaduais ( que gerenciam a rede pública de ensino médio) com Universidades Federais (regidas pelo MEC).