A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 16/10/2026

Em 1991, foi realizada a primeira edição da Copa do Mundo Feminina, um marco para a ampliação da participação das mulheres no cenário esportivo internacional. Entretanto, apesar desses avanços, fica claro que a valorização do esporte feminino no Brasil ainda é tratada com negligência. Desse modo, a invisibilidade midiática e a falta de investimentos contribuem para a continuidade dessa problemática.

Nesse sentido, o sociólogo Pierre Bourdieu, desenvolveu o conceito de violência simbólica, demonstrando como relações de dominação são naturalizadas por práticas socialmente estabelecidas. Sob essa lógica, a menor cobertura de competições femininas pelos meios de comunicação reforça a ideia de que o desempenho das mulheres é menos relevante que o dos homens, já que comerciais e padrões machistas ditam a distribuição do espaço midiático. Consequentemente, as atletas têm dificuldades de serem reconhecidas pelo público e atrair patrocinadores. Dessa forma, enquanto a mídia não der a devida atenção, as esportistas continuarão a ter seu talento ofuscado.

Ademais, a obra “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, evidencia como a desigualdade social restringe oportunidades e dificulta a superação de condições desfavoráveis. Ao transpor o viés literário, a distribuição desigual de recursos no esporte limita o acesso das mulheres a bons treinamentos, equipamentos e remuneração coerente. Então, as esportistas enfrentam dificuldades para conciliar a carreira profissional com as outras responsabilidades financeiras e pessoais que precisam arcar. Assim, enquanto os órgãos responsáveis não investirem no esporte feminino, elas não terão um caminho possível de realização pessoal e profissional.

Portanto, é de dever do Ministério do Esporte - responsável por coordenar políticas esportivas -, junto da mídia, ampliar a visibilidade das competições femininas, por meio da divulgação dos campeonatos e das campanhas publicitárias, a fim de aumentar o interesse do público e atrair investimentos. Logo, o cenário esportivo será mais justo e as atletas brasileiras terão o devido reconhecimento.