A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 16/10/2026
Durante o Estado Novo, o Decreto-Lei nº 3.199, de 1941, proibiu a prática de determinados esportes por mulheres no Brasil, sob a justificativa de que essas atividades seriam incompatíveis com a natureza feminina. Embora essa medida tenha sido revogada, seus efeitos ainda podem ser percebidos na sociedade atual. Nesse sentido, a desigualdade de investimentos e a limitada cobertura midiática contribuem para a desvalorização das atletas e dificultam o crescimento do esporte feminino no país.
Primeiramente, o machismo estrutural constitui a desvalorização da mulher no esporte. Para Pierre Bourdieu, a violência simbólica ocorre quando relações de desigualdade são normalizadas pela sociedade. Nesse sentido, muitas atletas ainda são julgadas pela ideia de que possuem menor capacidade física em comparação aos homens. Além disso, suas conquistas recebem menos reconhecimento, mesmo quando apresentam resultados expressivos em competições nacionais e internacionais. Dessa forma, o preconceito limita a visibilidade das esportistas e reforça a falsa noção de que o esporte feminino é menos relevante.
Ademais, de acordo com a Teoria do Agendamento, desenvolvida por Maxwell McCombs e Donald Shaw, os assuntos mais divulgados pela mídia tendem a ser considerados mais importantes pela população. Entretanto, campeonatos femininos são transmitidos com menor frequência e, muitas vezes, em horários de pouca audiência. Como consequência, o público conhece menos as atletas, as equipes atraem menos patrocinadores e as competidoras enfrentam dificuldades financeiras para permanecer na carreira. Assim, gerando um ciclo de invisibilidade que impede o desenvolvimento adequado das modalidades femininas.
Portanto, o Ministério do Esporte deve, em parceria com a Secretaria de Comunicação Social, ampliar a valorização das atletas. Isso pode ser feito com a oferta de incentivos fiscais a empresas para patrocinar equipes femininas e incentivar a transmissão regular de seus campeonatos em canais públicos. Além, de campanhas educativas que estimulem o fim do machismo. Dessa maneira, será possível promover maior igualdade e reconhecimento para as mulheres no cenário esportivo brasileiro.