A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 16/10/2026

Em 1941, o Decreto-lei nº 3.199 proibiu as mulheres de praticar esportes “incompatíveis com as condições de sua natureza”, e a proibição ao futebol feminino só caiu em 1979. Embora a lei tenha ficado no passado, a mentalidade que a sustentava persiste, e o esporte feminino segue pouco valorizado no Brasil, por herança cultural machista e por falta de investimento e visibilidade.

Primeiramente, os papéis de gênero são construídos socialmente. Simone de Beauvoir afirmou que não se nasce mulher, torna-se mulher, e durante muito tempo às meninas foi reservado o espaço privado, enquanto o esporte era território masculino. Por isso, atletas ainda têm a credibilidade questionada pelo gênero. Marta superou Pelé em gols pela Seleção em 2015 e, mesmo assim, enfrenta falta de apoio.

Além disso, há obstáculos estruturais. Desde 2019, a CBF exige equipes femininas nos clubes da Série A, mas o departamento ainda gera mais prejuízo que lucro. Sem televisão, faltam patrocinadores; sem patrocínio, faltam estrutura e público. Esse ciclo contraria o artigo 217 da Constituição, que obriga o Estado a fomentar a prática esportiva.