A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 29/08/2019

Durante o Estado Novo, no governo de Getúlio Vargas, o futebol feminino foi colocado na ilegalidade, balizado no discurso de que este esporte não era “de condições da natureza da mulher”. Na contemporaneidade, esse argumento perde força quando analisa-se a atual situação do futebol feminino brasileiro: melhor seleção da América do Sul, com a melhor jogadora do mundo. Conquanto, o esporte feminino, no geral, ainda é visto com olhares de inferioridade. Este pensamento gera menores investimentos o que é refletido na porcentagem da participação feminina nesse meio. Neste contexto, é evidente que a valorização do esporte feminino é um desafio para o Brasil, não somente pela recém permissão ao ingresso de grandes torneios esportivos, mas também, pela cultura enraizada de que a mulher nasce com “dons” já pré-existentes à sua natureza.

Ao longo de sua história e de forma gradual, o Brasil construiu mecanismos responsáveis pelas garantias fundamentais que hoje resguardam todos os cidadãos. No entanto, a aquisição dos direitos femininos não foram em sincronia com os direitos masculinos, refletindo na atuação da mulher em  diversas instituições na sociedade. No esporte fica evidente essa gradual inserção feminina quando analisamos sua participação nos Jogos Olímpicos. Segundo dados do Observatório Racial de Futebol, no ano de 1960, apenas 11 porcento do total de atletas eram mulheres. Em 2016, com uma constituição balizada nos direitos iguais, tem-se a participação de 45 porcento do total. É evidente que a atuação feminina está cada vez mais presente, conquanto, o que era pra ser algo espontâneo e natural, é oriundo de muita luta e reivindicações sociais.

Faz-se ainda salientar, que a desvalorização do esporte feminino no brasil é motivada pela cultura vigente. A sociedade acredita que há uma essência feminina pré-existente caracterizada pela fragilidade,  maternidade e natureza. Sartre vai contra esse pensamento, elucidado em sua famosa frase “a existência precede a essência”. Parafraseando-o, primeiro há a vida, e conforme nossas experiências vamos formando a essência e subjetividade. Judith Butler, em concordância com esta tese, afirma que a manutenção da fábula que há uma natureza antes da sociedade é impulsionada pelo Estado, que é omisso e muitas vezes reproduz esta ordem simbólica de fragilidade feminina.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para a efetiva participação e respeito feminino no meio esportivo. O Governo Federal, em parceria com as emissoras de canal aberto, devem transmitir jogos e competições esportivas femininas em horário nobre, atingindo maior público e consequentemente maior visibilidade. Ademais, a CONAR (conselho nacional de autorregulação publicitária) deve coibir propagandas sexistas, afim de romper com a cultura enraizada de que a mulher é um sexo frágil. inferior.