A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 04/09/2019

No mês de Junho de 2019, ocorreu a Copa do Mundo de Futebol Feminino, dessa vez, a bandeira levantada não foi apenas de campeã, foi, principalmente, a feminista, com campanhas de apoio à valorização da mulher no esporte. No Brasil, a movimentação não foi diferente, com a chegada nas oitavas de final da competição, uma rodada a menos que os homens na versão masculina, as mulheres receberam a merecida visibilidade e começaram o debate sobre seu papel no esporte e na sociedade.

A mais famosa jogadora, a Marta,disse em entrevista a Vogue que: não usava logomarcas em suas chuteiras como forma de protesto as diferenças dos valores oferecidos pelas marcas em relação aos homens do esporte. Os salários que outros jogadores recebem mensalmente, é, as vezes, o que elas ganham somando-se toda a vida esportiva delas. Isso decorre de um machismo cultural impregnado na sociedade brasileira, desde o período colonial, visto que, na época citada, a mulher era vista como mero instrumento reprodutório do marido, a ideia segue no antro cultural do povo brasileiro, que ainda não aceitou a equidade feminina em inúmeros aspectos, muito além do esporte. Ou seja, não há diferenças entre homens e mulheres, mas sim uma concepção errônea sobre isso, que segue, inclusive entre alguma mulheres, sobre uma pseudo-inferioridade feminina.

Esse debate não se limita apenas ao futebol, chegando também, a práticas mais novas, como nos “e-sports”, os esportes digitais, como os campeonatos de Rainbow Six (R6) e Fortnite, esse meio, que, em tese, deveria ser mais receptivo as mulheres, por ser mais jovem, não é diferente dos jogos de campo, pois como nestes, a mulher é, também, inferiorizada pelas torcidas. Em Julho, uma brasileira, apelidada online de “Cherna”, de 19 anos, foi indicada entre os melhores jogadores R6, logo em seguida do anúncio, ela recebeu em seu Twitter inúmeras mensagens ofensivas, inferiorizando-a, dizendo que não merecia a indicação, portanto, é perceptível que a misoginia não é só no futebol mas sim, no Brasil.

Portanto, conclui-se que, por ser algo incrustado no âmago da sociedade as ações para valorização do esporte feminino devem ser visando a diminuição do machismo cultural, logo, o foco deve ser entre as crianças e adolescentes dos oito aos dezoito anos de idade, desconstruindo a ideia de superioridade masculina, a partir dos mais novos, pois serão eles futuro do país. Para isso, é necessário uma organização do Ministério da Cultura junto as universidades nacionais e centros desportivos, convocando mulheres em altos cargos sociais, como grandes executivas e atletas brasileiras, exemplo: Luiza Helena Trajano, CEO da Magazine Luiza, ou Hortência Marcari, melhor jogadora da história do basquete feminino, afim de que elas palestrem em escolas, públicas e particulares em todo país, com o intuito de mostrar a capacidade feminina e a crescente necessidade da igualdade entre os sexos.