A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 10/09/2019

Para Martin Luther King - grande líder do movimento civil dos negros - “A injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça a justiça em todo lugar”. De maneira análoga a desvalorização do esporte feminino no Brasil, mesmo após teóricos avanços constitucionais, a conjuntura de iniquidade permanece e acaba refletindo na sociedade hodierna. Nesse contexto, não há dúvidas de que a igualdade de gênero é um desafio no Brasil, o qual ocorre devido não só a negligência governamental, mas também à falta de empoderamento social.

Advém ressaltar, a princípio, a ilegitimidade dos órgãos governamentais mediante a adoção de política de contenção à proteção da mulher. Com isso, nota-se que, inaceitavelmente, o descaso público-administrativo representa um grande empecilho na concretização do esporte feminino no Brasil. Entretanto, consoante Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil à medida que a oferta de fiscalização das leis - destinadas a defesa da mulher - não está presente em todo o território nacional, fazendo os direitos permanecerem somente no papel.

Outrossim, o déficit de ações sociais coletivas, infelizmente é reflexo de pensamentos arcaicos, que acabam acarretando a luta solidária da mulher brasileira. No entanto, segundo o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar as pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos paradigmas sociais foi fundamental para que o número de mulheres nos jogos olímpicos aumentassem em 34% de 1960 à 2016, provando que o superávit de ações sociais tende a ser totalmente benéfico para a continuidade da conquista do espaço feminino.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Dessa maneira urge que o Estado, na forma do Ministério da Educação e Cultura, crie um projeto para ser desenvolvido nas escolas - o qual promova palestras, apresentações artísticas e atividades lúdicas - abertas a toda população - ministradas por campeãs olímpicas e por psicólogos especializados nos direitos das mulheres - a respeito da cultura feminina no esporte e da importância do mesmo para a sociedade brasileira. - uma vez que, ações sociais coletivas têm imenso poder transformador - a fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral - por conseguinte - conscientizem-se. Com isso, a felicidade política de Aristóteles e a igualdade social de Luther King serão alcançadas em prol de um mundo mais justo às mulheres,