A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 17/09/2019

O artigo 54 do Decreto-Lei 3199 de 1941, relata: “às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”. Hodiernamente, as mulheres no esporte sofrem preconceitos e lutam para que sejam valorizadas nesse meio. Fatores históricos, bem como a falta de apoio financeiro e estrutural voltadas para esse fim, constituem-se como uma das principais causas dessa problemática.

Deve-se pontuar, de início, que fatores históricos é uma das principais causas na luta pela valorização do esporte feminino no Brasil. Nesse contexto, a socióloga Nathália Ziê reforça essa causa, relatando que, essa recusa do gênero feminino dentro de competições esportivas faz parte do contexto sócio histórico, onde, as mulheres foram destinadas ao espaço privado, a exemplo disso está a forma de governo do Estado Novo de Getúlio Vargas, que governava o país de forma autoritária, proibindo a modalidade feminina em jogos esportivos por lei. Dessa forma, o esporte feminino ainda colhe os efeitos patriarcais que está enraizado na cultura brasileira, provocando assim, um dos principais pontos a serem discutidos na luta pela valorização desse grupo no esporte.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de apoio financeiro e estrutural para as mulheres em modalidades esportivas. Um bom exemplo é o da jogadora Marta, que em 2015 de acordo com site ‘Espn’, tornou-se a maior artilheira da Seleção brasileira, com 98 gols, ultrapassando Pelé, com 95, mas apesar desse grande feito, não só a atacante, como todas as meninas do futebol sofrem com a falta de visibilidade, patrocínio e apoio, na copa feminina de futebol que ocorreu este ano a atleta protestou com uma chuteira sem patrocínio, com cores representando equidade feminina, divulgou o site Caras. Dessa forma, enquanto o universo do esporte for masculinizado, continuarão existindo desafios para contornar essa desigualdade, não só no futebol, mas em outras modalidades.

Diante dos fatos supracitados, é necessário que as confederações de cada esporte incentive campanhas de inclusão das mulheres nesse espaço, através de torneios oficiais para que, assim, esse grupo tenha uma visibilidade maior e consequentemente oportunidades iguais ao do esporte masculino. Além disso, é fundamental que as associações em parceria com as marcas que patrocinam os esportes em geral, consiga parcerias para subsidiar o esporte feminino, através de apoio financeiro e estrutural, objetivando cessar as diferenças nessas questões e assim, poder equiparar os dois gêneros no esporte. Logo, o enraizado pensamento de 1941, em que dizia que a mulher não possuía condições, por sua natureza, se desfaça e que esta ocupe espaços com os mesmos direitos, sem preconceito.