A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 07/12/2020

Em uma de suas músicas, Vinícius de Moraes declara: “uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher, feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor e para ser só perdão”. Embora a composição seja de meados do século XX, essa perspectiva limitante de gênero ainda persiste, o que dificulta a valorização do esporte feminino, algo que deriva tanto do machismo sociocultural quanto da inércia estatal.

A princípio, essa espécie de preconceito é cultural. Isso é reflexo das raízes patriarcais da sociedade brasileira, que promovera ao, longo da história, a segregação das mulheres no lar. Essa conjuntura é comprovada pela promulgação, em período temporal do século XX próximo ao da composição de Vinícius de Moraes supracitada, de uma lei que impedia as moças de praticarem esportes intensos sob a justificativa de serem incompatíveis com a natureza das fêmeas. Por consequência, essa visão perpetuou-se, o que é comprovado pelas publicidades de artigos esportivos serem protagonizadas por atletas masculinos, como Neymar e Messi, enquanto as propagandas destinadas a produtos de limpeza serem estreladas pelo sexo oposto, como a cantora Ivete Sangalo participou de campanha da marca Bombril. Portanto, o fenômeno tratado inveterou-se no imaginário social de tal modo que produz efeitos na contemporaneidade.

Além disso, o Poder Público é negligente nessa questão. A respeito disso, a Constituição Federal, em seu artigo 3º, estabelece entre os objetivos fundamentais da República a promoção do bem de todos, sem discriminação, o que não é concretizado. Exemplo disso é a constatação de que a maioria dos desportos femininos são deficitários, haja vista a pouca visibilidade, o que torna-os menos atrativos para os patrocinadores. Contudo, não se verificam políticas públicas resolutivas desse imbróglio. Assim, a inação do Poder Estatal, em flagrante desacordo com a Carta Magna, prejudica essa categoria de esportes.

Dado o exposto, é fulcral potencializar a valorização do esporte feminino no Brasil. Para tanto, o Congresso Nacional, mediante debates com dirigentes, atletas, comissões técnicas e patrocinadores, deve aprovar um projeto de lei que conceda isenções fiscais a empresas que financiem e transmitam o desporto feminino, com prioridade às modalidades mais carentes, a fim de suprimir as desigualdades. Dessarte, é possível reconhecer esse tipo de esporte.