A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 29/09/2019
A participação das mulheres no esporte vêm aumentando todos os anos, em decorrência da conquista de direitos que as colocam no mesmo patamar legal que os homens. No entanto mesmo apresentando qualidade nas práticas desportivas, por vezes superior as masculinas, não são valorizadas pelo mundo empresarial. Assim, pode-se apontar como causa a sociedade brasileira ser patriarcal e reagindo a tal característica observou-se a manifestação da atacante da seleção brasileira, Marta, que não aceitou patrocínios para os jogos da copa do mundo na França em 2019.
Em primeiro lugar, cabe salientar que o Brasil se mostra um país extremamente machista e carregado de estereótipos, os quais privam as mulheres de uma série de coisas como treinar um esporte de sua preferência ou até mesmo seguir uma profissão que tem mais afinidade, pois são tidas como coisas de homem. No esporte, a segregação começa na infância, no momento que a menina prefere jogar bola na rua do que brincar de boneca e rapidamente é repreendida pelos pais, que usam a frase " isso é coisa de menino". De acordo com a socióloga, Natália Ziê, essa recusa das mulheres no mundo esportivo se deve a um contexto histórico no qual as mulheres só ocupavam espaços privados. De forma reacionária, surge o movimento feminista com o bordão principal " lugar de mulher é onde ela quiser". Isso incentiva as mulheres a fazerem o que querem independente da pressão social, afinal, em uma sociedade, todos têm os mesmos direitos e estes não se restringem a gênero.
Por consequência, na última copa do mundo de futebol feminino a principal jogadora de futebol do mundo, a Marta, foi competir sem patrocínios. Devido a isso, foi questionada o motivo de não aceitar o contrato dos patrocinadores e de pronta resposta disse que os valores oferecidos eram muito abaixo do que os jogadores do futebol masculino ganhavam e agora a sua luta era por equidade no esporte. O princípio da equidade consiste em tratar aqueles que são diferente de forma de desigual na medida necessária, ou seja, dá a todos a mesma oportunidade. Dessa forma, uma jogadora que coleciona título de seis vezes melhor do mundo, maior artilheira das copas masculinas e femininas e maior goleadora da seleção deve ser tratada da mesma forma que se o detentor desses títulos fosse do gênero oposto.
Portanto, é mister que as instituições responsáveis pelo esporte tomem providências para solucionar o impasse. Para que a equidade seja estabelecida no esporte, urge que a Federação Brasileira de Esporte por meio de acordos com os patrocinadores estabeleçam valores mínimos a serem pagos para os atletas de forma geral, sendo inaceitável discrepância entre os recebidos tendo como motivo apenas o sexo biológico. Somente assim, as mulheres passarão ser valorizadas pelo trabalho de alto nível que fazem em nome do Brasil no esporte.