A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 11/10/2019
Durante a Guerra dos Cem Anos, a francesa Joana D’Arc precisou se vestir de homem para ser aceita no exército e lutar ao lado de seu país na batalha, esse fato reflete o machismo enraizado na comunidade onde uma mulher não deve se submeter a atividades consideradas “masculinas”. Fora do contexto histórico, essa construção social ainda perdura na sociedade contemporânea, visto que, no Brasil, o esporte feminino não é tão valorizado quanto deveria ser, as atletas não conseguem patrocínio ou visibilidade apenas pelo seu gênero e não por suas habilidades em um determinado esporte. Nesse sentido, é necessário analisar tal quadro, que está totalmente ligado a um pensamento retrógrado que afeta milhares de mulheres.
É importante ressaltar, em primeiro plano, que a mulher sempre foi subestimada e questionada em relação as suas capacidades físicas. Consoante Simone de Beauvoir, escritora e filósofa francesa, a experiência corporal condiciona a forma pela qual enfretamos o mundo mas, no caso das mulheres isso tem um significado diferente, pois são as significações sociais (de cunho machista e misógino) dadas a mulher que estrututa uma sociedade extremamente desigual. Pensamento esse que demonstra o atual cenário do esporte feminino, onde todo o talento e competência dessas mulheres são desdenhados por conta da concepção enraizada na sociedade de que uma mulher não possui a mesma capacidade de um homem ao praticar um desporte.
Ademais, a mídia também não transmite jogos femininos na mesma intensidade do que os masculinos. Por exemplo, a Copa do Mundo feminina foi transmitida no Brasil pela primeira vez em 2019, mesmo estando na sua oitava edição e a masculina sempre é exibida na TV. Assim, essa falta de visibilidade por parte das mídias sociais dificulta ainda mais o trabalho dessas mulheres, pois já é difícil de conseguir algum tipo de patrocínio e sem a devida percepção do público parece que todos os seus esforços para conseguir algum espaço nesse meio são em vão.
Infere-se, portanto, que o preconceito contra o esporte feminino deixe de ser realidade. Nesse sentido, cabe a mídia, por meio da flexibilização de seus horários, a transmissão de jogos femininos com mais frequência na televisão brasileira, gerando assim maior visibilidade para as mulheres. Visando o mesmo objetivo, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) deve promover projetos em busca de patrocínio e o combate ao preconceito no setor feminino, através de um aumento na parcela de investimentos nesse âmbito. Assim, a sociedade poderia progredir sem nenhum tipo de esteriótipo e a Joana D’Arc seria um exemplo de uma mulher que -infelizmente- não possuiu os mesmos direitos que uma mulher na sociedade contêmporanea possui.