A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 15/10/2019
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no início de 2019, tornou obrigatório aos clubes que disputam a primeira divisão masculina, a criação e manutenção de times femininos. Entretanto, a cultura da desvalorização do esporte feminino impede que essa modalidade se torne uma realidade no país. Nesse sentido, a criação de uma sociedade que valorize o esporte feminino, pressupõe uma ação conjunta entre poder público e sociedade.
A princípio, a discrepante diferença salarial entre atletas masculinos e femininos evidencia a ingerência estatal. A esse respeito, a legislação brasileira assegura a igualdade salarial entre funcionários, sem distinção de sexo, que prestam o mesmo serviço e com a mesma qualidade, na CLT - Consolidação das Leis Trabalhistas - desde 1943. No entanto, nota-se que as mulheres recebem muito menos que os homens e oferecem - muitas vezes - serviços de qualidade superior aos prestados por esses, sobretudo no esporte. Assim, fica evidente a ineficácia dos órgãos governamentais, por exemplo o Ministério dos Esportes, que impossibilita a equidade de gênero e, dessa forma, impede que o esporte feminino seja valorizado.
De outra parte, há de se desconstruir o preconceito enraizado, na sociedade, quanto a prática de esportes pelas mulheres. Nesse sentido, o sociólogo Gilberto Freyre ensina, em sua obra “Casa-Grande e Senzala”, que a sociedade impõe diversos padrões sociais, e quem lhes desobedece é alvo de preconceito. Nesse viés, as mulheres são submetidas - constantemente - a lamentáveis hostilidades, conforme disserta o sociólogo, ao praticarem esportes demonstrando a incapacidade da sociedade de superar essa nociva e arcaica cultura de intolerância. Todavia, enquanto a sociedade se mantiver com essa postura inadequada, esse grupo social continuará sendo rejeitado e, por consequência, desvalorizado.
Portanto, urge que o Ministério dos Esportes crie - com urgência - punições às associações esportivas que ferem a legislação com os baixos salários ofertados para as atletas, por meio de fiscalizações frequentes às folhas salarias desses, com o fito de minimizar essa desigualdade e, com isso, valorizar o esporte feminino. Além disso, o Ministério da Educação deve promover - com urgência - palestras no âmbito escolar, através das mídias sociais, a fim de combater esse preconceito enraizado na sociedade brasileira. Somente assim, a valorização do esporte feminino será alcançada e não precisará ser imposta por instituições como a CBF.