A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 19/12/2019
Na obra Utopia, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade livre de conflitos e problemas sociais. No entanto, no Brasil, ocorre justamente o oposto do que o autor narra, visto que a desvalorização do esporte feminino ainda é uma realidade. Esse cenário antagônico é fruto da cultura machista brasileira, e perdura devido à falta de investimentos nessa área. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de mobilizar os setores corretos e resolver essa problemática.
Precipuamente, é importante pontuar que a principal causa da desvalorização das práticas esportivas femininas decorre do machismo impregnado na sociedade. Ao longo da história da humanidade, a ideia que se manteve predominante foi a de que as funções naturais da mulher são realizar afazeres domésticos, procriar e satisfazer os homens. Isso pode ser comprovado pelo fato de que, até 1979, as mulheres eram proibidas por lei de jogar futebol no Brasil, sob a justificativa de que era contra a sua própria natureza fazê-lo. Desse modo, o machismo desmotiva e dificulta a prática de diversas atividades, e, entre elas, o esporte.
Aliado a isso, a falta de investimentos nos times femininos os desvalorizam ainda mais, visto que, devido à carência de visibilidade, os esportes praticados por mulheres não são lucrativos para as empresas. Como não conseguem patrocínio, dificilmente terão popularidade e espaço nas mídias. Um exemplo disso foi a Copa Mundial Feminina de 2019, que teve pouca divulgação, em oposição à Copa do Mundo Masculina de 2018, que obteve cobertura completa nos jornais de esportes, evidenciando, assim, a desigualdade. Ademais, o país carece de projetos governamentais que buscam incentivar meninas que vivem em comunidades a entrar no ramo dos esportes para ascenderem socialmente, configurando um descaso com essa situação.
Portanto, diante do supracitado, urge a necessidade de resolver o problema da desvalorização do esporte feminino. Diante disso, é preciso que o governo, em parceria com a mídia, arrecade verbas, por meio de impostos, para construir quadras designadas para o público feminino e que abranja várias modalidades, como o futebol, basquete e vôlei, com o apoio das redes televisivas para divulgar amplamente esse projeto e incentivar meninas a participar, além de envolver a população com os esportes femininos, a fim de amenizar o tabu que circunda essas práticas. Desse modo, será possível atrair o interesse da sociedade para os esportes femininos e aumentar a sua visibilidade, além de reduzir o preconceito e, por fim, aproximar a realidade brasileira àquela proposta por Thomas More.