A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 20/12/2019

Desconstruindo a desigualdade

Ao avaliar o contexto histórico desde a era colonial até os dias atuais o qual as mulheres foram inseridas no Brasil, é possível perceber o atraso vivenciado no século XXI quanto a valorização do público feminino no esporte. Nessa lógica, é indispensável discutir dois dos muitos entraves os quais permeiam as mulheres nas atividades esportivas: a persistência do machismo advindo de uma sociedade patriarcal somado a predominante falta de visibilidade e reconhecimento midiático.

A priori, é justo e ético reconhecer as inúmeras conquistas alcançadas pelo grupo feminino ao longo da história, a exemplo do voto, mercado de trabalho, ascensão social etc, no entanto o machismo - enraizado na sociedade -, ainda limita essa busca por espaço. Em consonância com a Carta Capital, a desigualdade de gênero está fortemente presente dentro da seleção brasileira de futebol feminino, podendo ser notada não só na escassa valorização como também nas disparidades salariais entre homens e mulheres nessa atividade. Sob esse aspecto, fica extremamente notório o quão desvalorizada é a classe de mulheres no esporte brasileiro, o qual paradoxalmente se auto declara moderno e diverso.

A posteriori, também cabe voltar o olhar para o âmbito midiático que embora tenha evoluído, ainda falha quando não cede espaço suficiente e igualitário para o reconhecimento de tal embate. É relevante comparar a repercussão da mídia entre os atletas Pelé e Marta, esta já ultrapassou o recorde do “rei” do futebol e o reconhecimento ficou limitado e reduzido à alguns jornais. Embasado nesse fato, é lamentável que a valorização do esporte feminino no Brasil por meio da mídia ainda seja tão limitada, mesmo diante de diversas provas de qualidade igual ou ate superior ao público masculino, contribuindo para a perpetuação de raízes coloniais em época de modernidade.

Em face dessa comumente falta de valoração, urge, portanto, a manifestação do Ministério da Educação dentro das escolas, propondo uma abordagem da história feminina, suas superações e conquistas nas atividades esportivas, inserindo tal discussão dentro da disciplina de Sociologia de forma semestral, com o objetivo de despertar nos jovens cidadãos o poder da criticidade quanto a igualdade de gênero em todos os setores sociais. Ademais, ainda vale reivindicar aos responsáveis pela mídia o devido espaço para a propagação do desempenho e da diversidade do esporte feminino, estabelecendo discussões e estimulando o reconhecimento e aclamação dos telespectador, com o intento de desmistificar esse cenário de desigualdade no âmbito esportivo entre homens e mulheres instigando uma sociedade mais coesa e igualitária.