A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 29/12/2019
No Brasil, o movimento feminista surgiu no século XIX com a luta pela educação feminina, direito ao voto e abolição dos escravos. Hoje em dia, com todos esses direitos conquistados, elas buscam um espaço que por muito tempo era considerado apenas dos homens: o esporte. Todavia, as raízes de um contexto histórico machista e o simplório destaque midiático desvalorizam essa luta diária feminina. Nesse sentido, é notório as “vendas” que cegam nossa nação - um país que se diz igualitário.
Primeiramente, destaca-se o estereótipo de que o futebol deve limitar-se apenas aos homens. No Brasil, as mulheres foram proibidas por 40 anos de jogarem futebol, e apenas no governo militar, no século XX, que foi abolido essa lei. Contudo, a sociedade ainda herda tal pensamento preconceituoso mesmo com jogadoras como a Marta, que ultrapassou o “rei” Pelé em números de gols pela seleção, e Klose sendo a maior artilheira de todas as copas do mundo, quebrando todas as preconcepções de que “lugar de mulher é apenas na cozinha”. Dessa forma, essa ideia corrobora com o pensamento da filósofa Simone de Beauvoir, o qual diz que não se nasce mulher, torna-se.
Em segundo lugar, é notório enfatizar a falta de visibilidade do esporte às mulheres no Brasil. A copa do mundo de futebol feminino foi iniciada em 1991 e, embora seja muito disputada, apenas em 2019 foi transmitida por uma emissora televisiva de grande alcance: a Rede Globo. Apesar disso ser um grande feito, ainda há uma grande desvalorização da mulher no esporte, como nos salários altos e transmissão de jogos em horário nobre, os quais são direcionados apenas aos homens, e assim, e corrobora com a grande desigualdade de gênero. Dessa maneira, é alarmante tal quadro presente em nossa sociedade.
É necessário, portanto, que o Estado tome providências sobre a temática. Logo, é dever do Ministério da Cidadania, junto às grandes emissoras televisivas, aumentar a visibilidade do esporte feminino no Brasil transmitindo os jogos de futebol em canais abertos. Para isso, as partidas deverão ser transmitidas em horário nobre na mesma proporção do futebol masculino. Somente assim, o esporte feminino será valorizado, diminuiremos o preconceito, e ainda, tiraremos as “vendas” que cegam nossa nação.