A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 29/01/2020

Após o evento histórico conhecido como Segunda Guerra Mundial, veteranos de guerra obtiveram reabilitação motora e social através do esporte, fenômeno que deu origem as paraolimpíadas. No entanto, mesmo sendo ferramenta de inclusão social, o esporte, no Brasil, ainda apresenta caráter excludente no que tange a população feminina. Desse modo, convém analisar as principais causas e conclusões acerca desse impasse no cenário brasileiro.

Inicialmente, infere-se que o esporte, como agente cultural, age como instrumento de propagação e afirmação de uma sociedade patriarcal vigente historicamente no Brasil. De acordo com Émile Durkheim, renomado sociólogo, todo fato social, isto é, todo ato cultural, tem poder coercitivo. Sendo assim, quando exclui mulheres, a prática esportiva atua como meio para reforçar padrões de submissão e inferiorização desse grupo social.

Outrossim, se a cultura mantém um modelo social histórico, esta, entretanto, pode ser modificada pela economia. Em suas obras, o conhecido sociólogo Karl Marx desenvolve a teoria do “Materialismo Histórico”, ou seja, o autor afirma que o modo o qual se desenvolve a economia é base da formação histórica humana. Dessa forma, enquanto, por exemplo, o futebol masculino brasileiro conta com empresas multimilionárias utilizando-o como meio de propaganda, o feminino, por pouca visibilidade, carece de tal investimento privado sendo, desse modo, pouco rentável e não difundido culturalmente.

É indubitável, portanto, que há entraves relativos à valorização do esporte feminino no Brasil. Cabe ao ministério da cidadania, através de parcerias público-privadas e incentivo fiscal com meios de comunicação em massa, a fim aumentar a divulgação de modalidades femininas para assim incorporá-las a cultura de forma efetiva, devolvendo o caráter inclusivo ao esporte na sociedade brasileira.