A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 18/04/2020

Por muitos anos, os esportes foram proibidos para a classe feminina e, no “país do futebol”, as mulheres só começaram a praticar a modalidade, profissionalmente, na década de 80. No entanto, mesmo com o fim dessas limitações, elas ainda não possuem o mesmo reconhecimento e oportunidades que o gênero oposto. Diante disso, valida-se a discussão acerca da valorização do esporte feminino como atingido pelas heranças histórico-culturais, acarretando a falta de reconhecimento dessas profissionais no país.

Em primeira análise, as marcas histórico-culturais na sociedade é um dos principais contribuintes para a desvalorização do grupo feminino no esporte que, em vista disso, permanecem sendo alvo de preconceitos. Nesse ínterim, de acordo com o Decreto-lei instaurado no Brasil em 1941, as mulheres estavam proibidas de praticar qualquer esporte considerados contra a sua natureza biológica por uma visão de fragilidade. Nessa ótica, fica explícito como a prática esportiva não era encorajada para essa parcela social, haja vista a estigmatização da imagem feminina e a divisão sexista que reverbera até a contemporaneidade.

A posteriori, em consequência da estigmatização, as mulheres que optam por seguir uma profissão esportiva, seja como atletas ou treinadoras, enfrentam desafios ainda maiores para a sua permanência na área que o gênero oposto e, com isso, muitas vezes têm a carreira interrompida. Nessa perspectiva, um levantamento realizado pelo programa “Sporting Intelligence” aponta que menos de 1% dos atletas profissionais são do sexo feminino, além da escassez de jogos e uma diferença salarial expressiva comparando com atletas homens. Destarte, as oportunidades e reconhecimento entre os gêneros são desproporcionais, evidenciados não só pelos resquícios históricos, mas pela perpetuação desses traços até os dias hodiernos.

Depreende-se, portanto, que a valorização da figura feminina no esporte brasileiro apresenta entraves que precisam ser sanados. Assim, é fundamental que o Ministério do Esporte, em parceria com clubes esportivos nacionais, invista financeiramente na ampliação de centros atléticos por todo o país, com a possibilidade de oferecer modalidades variadas de esportes ao público feminino a partir da primeira infância, bem como garantir, pelo Legislativo, a igual remuneração entre atletas de gêneros opostos. Tal medida, aparece com o intuito de gerar mais oportunidades e ampliar a visibilidade feminina, reconhecendo a igual qualidade de suas profissionais no esporte brasileiro.