A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 28/04/2020

Por volta de 1890, Charles Miller inseriu o futebol de modo oficial no Brasil. O esporte se tornou um símbolo para o país, com nomes de relevância nacional e internacional, como Pelé, Ronaldinho Gaúcho e Garrincha. Desde então, essa prática tem sido representada pela figura masculina. Por conseguinte, o futebol feminino não é devidamente valorizado, e a visibilidade, apoio e financiamento que são dados a tal é escasso, ainda mais se comparado ao primeiro.

A princípio, é necessário ter em mente que existe uma base sociológica que molda a cultura, revelando o porquê da sociedade ser como é. Segundo o portal M de Mulher, em parceria com a antropóloga Daniela Alfonsi, em abril de 1941, durante o governo de Getúlio Vargas, as mulheres foram proibidas de praticarem esportes que fossem contrários a sua natureza (em se tratando da sua presumida fragilidade), incluindo o futebol. Foram 38 anos de impedimento da prática oficial do esporte. Assim sendo, a problemática elementar é a naturalização de que o futebol é masculino, tornando a exclusão da mulher algo comum. Tal mentalidade gera um grande espaço entre a desvalorização e a valorização do esporte feminino, haja vista que, sendo contrário a sua natureza, não há motivos para investimento nem desenvolvimento.

Desse modo, a visão construída durante anos tornou-se pretexto para pré-conceitos e o negligenciamento do futebol jogado por mulheres, tanto em campo quanto na função técnica e em outros cargos mais elevados. Entretanto, mesmo com os mais variados impedimentos, existem excelentes profissionais que têm conquistado espaço gradualmente, como Marta, bastante conhecida por destacar-se como artilheira, ultrapassando Pelé em quantidade de gols. Sendo assim, as figuras femininas estão se empenhando arduamente para conquistarem um espaço que deveria ser de todos, que, com o devido preparo, são capazes de representar a si próprios e até mesmo o país, dignos de valorização e investimento, independente do seu sexo.

Destarte, para que o futebol feminino tenha o devido reconhecimento e estimulo, o Ministério do Esporte deve desenvolver um projeto visando a inserção de mais mulheres nos jogos, e, consequentemente, maior constância de suas partidas. Isso deve ser feito por meio da disponibilização de mais testes e vagas para a entrada em competições. Além disso, o mesmo Ministério deve investir na propaganda da mulher como uma figura ativa no esporte, por meio de parcerias com marcas e programas que já abordam a temática, para que a separação de jogos por sexo seja amenizada. Desse modo, gradativamente os pré-conceitos se desfazem, tornando as atividades mais igualitárias, e fazendo do Brasil um exemplo, mais do que já tem sido no futebol.