A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 28/09/2022
Em 1941, durante o governo de Getúlio Vargas, foi proibido, através do decreto 3199, a participação feminina nos esportes brasileiros. Mesmo com a abolição em 1979, as marcas da lei penduram na atual sociedade e afeta a valorização do esporte feminino no Brasil, tanto pela falta de visibilidade positiva quanto pelo preconceito da sociedade.
Em principio, salienta-se que a participação feminina nos esportes aumenta gradativamente ao logo dos anos, segundo o Observatório Racial do Futebol, porém, o preconceito sobre as atletas aumenta na mesma proporção. Como já teorizado pela socióloga Hannah Arendt em “banalidade do mal”, a naturalização do preconceito afeta negativamente as mulheres que enfrentam, não só os desafios do próprio esporte, como também a intolerância da sociedade. Um exemplo está nas jogadoras da seleção de Hóquei que precisaram provar à Confederação seus valores como atletas, não como mulheres, para poder competir.
Além disso, a falta de visibilidade positiva, como patrocinio e salários iguais, também diminui a valorização do esporte feminino no país. Para a jornalista Nathalia Ziê, essa recusa faz parte de um contexto machista que classifica mulheres como protagonistas de lugares privados. Assim, sob esse viés, não há investimentos, destaque positivo da mídia e ênfase governamental, apenas quando trata-se negativamente da imagem da mulher ,como expor suas condições fisica-corporal. Um exemplo é a Marta, jogadora da seleção, que mesmo com maior quantidade de gols entre todos os jogadores, recebe um salário menor e não tem patrocinio, e somente aparece em matérias midiáticas por seu corpo e por usar batom durante os jogos.
Infere-se, portanto,que a valorização do esporte feminino no Brasil está sendo dificultada.Por isso,é preciso que a Confederação Brasileira juntamente com a mídia,difusora de informações, realize a valorização do desporto feminino, através de campanhas com grupos feministas, apresentação de mais esportes com atletas femininas em televisão aberta e discussão de um salário igualitário, para que, somente assim, as marcas da lei de Getúlio Vargas sejam apagadas.