A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 24/07/2020
A questão da desvalorização do esporte feminino no Brasil tem origem no governo autoritarista de Getúlio Vargas, em que proibiu-se a prática de atletismo por mulheres. Hoje, 41 anos após a abolição dessa imposição, vê-se que a assimetria em relação ao desporto masculino perdura, ora pela ideologia patriarcal, ora pela falta de políticas públicas.
A princípio, evidencia-se, por parte das famílias, a disseminação de estereótipos patriarcais sobre o papel da mulher na sociedade. Acerca disso, a filósofa Simone de Beauvoir diz não existirem modos de vidas específicos de uma natureza feminina, e sim um mito para prendê-las na condição de oprimidas. Isso decorre, principalmente, da postura machista de que o corpo do “segundo sexo” seja pouco viril e, com isso, não esteja habilitado a modalidades desportivas de força e contato físico. Sendo assim, é crucial que essa lógica desumana seja banida do meio social.
Ademais, é imperativo pontuar que, mesmo havendo vários anos desde o Estado Novo, a efetividade de ações por parte do Governo que promovam a inclusão e equidade de direitos entre gêneros não é realidade. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo da Secretaria Especial do Esporte em relação a exiguidade de patrocínio das atletas. Desse modo, dificulta-se a consolidação de carreiras, visto os poucos campeonatos e visibilidade, um exemplo é Marta - maior artilheira da seleção - ser menos reconhecida que Pelé, o segundo maior. Logo, é substancial a mudança desse cenário alarmante.
É imprescindível, portanto, que medidas sejam tomadas em prol do tratamento igualitário entre esportistas. Posto isso, o MEC deve, por meio de de amplo debate entre sociedade civil e Ministério da Cidadania, acrescentar a BNCC o ensino de cidadania. O supracitado deverá focar em erradicar rótulos de superioridade masculina. Além disso, o Governo deve criar um Plano Nacional, através de PL entregue à Câmara, de incentivo fiscal à iniciativa privada investir na formação e publicidade das desportistas. Feito isso, haverá simetria sexual no país