A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 24/07/2020

Para Martin Luther King - grande líder do movimento civil dos negros - “A injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar”. De maneira análoga, mesmo após teóricos avanços constitucionais e sociais na luta pelos direitos das mulheres, o processo de iniquidade permanece e acaba refletindo na sociedade hodierna. Nesse contexto, nota-se que a valorização do esporte feminino é um desafio no Brasil, o qual ocorre devido não só a negligência governamental, mas também, à falta de empoderamento social.

Vale salientar, a princípio, a ilegitimidade de políticas públicas que visam a adequada execução dos artigos constitucionais. De acordo com o artigo 217 da Constituição Federal de 1988, a proteção e o incentivo às manifestações desportivas de criação nacional é um direito de todos, todavia, o poder executivo não executa-o; uma vez que, infelizmente, verifica-se a negligência governamental em garantir e facilitar o acesso à práticas esportivas femininas. Consoante o sociólogo Dahrendorf no livro “A lei a ordem”, a anomia é uma condição social onde normas reguladoras do comportamento humano perderam sua validade. Sendo assim, a máxima expressa pelo sociólogo se assemelha ao atual cenário brasileiro, a medida que as leis de apoio e proteção às mulheres não são exercidas.

Outrossim, a falta de ações coletivas para as reivindicação dos direitos das mulheres contribui na potencialização do impasse, fazendo com que elas sejam submetidas à situações de preconceito e machismo, que é produto da construção histórica e social. Segundo Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais é característica da “modernidade líquida” vívida no século XXI. O conceito expressado pelo sociólogo é uma condição vigente no Brasil, onde à sociedade não percebe as condições excludentes das mulheres nos esportes e demais atividades sociais, não havendo uma reivindicação contrária. Logo, é notável uma necessidade de mudanças no paradigmas sociais para transpor o descumprimento das normas constitucionais.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves na solidificação de políticas públicas para a construção de um país mais justo e igualitário. Nesse contexto, urge que o Estado, na forma de Ministério da Educação, Cultura e Esporte crie projetos, os quais promovam palestras informativas sobre a inclusão de mulheres nos esportes e atividades esportivas voltadas ao público feminino - através de uma colaboração mútua entre Estado e sociedade -. uma vez que, ações coletivas têm imenso poder transformador. Afim de que mulheres, juntamente com a sociedade no geral, saibam de seus direitos, sintam acolhidas e protegidas pelo meio social e Estado. Com essas medidas, o Brasil será digno de orgulho de Luther King, caminhando progressivamente para a completa justiça social.