A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 15/07/2020

No contexto ao qual se insere a Era Vargas, o Código Eleitoral promulgado concedeu, pela primeira vez, o direito ao voto para as mulheres no Brasil. Assim, a partir de diversos esforços, a mulher hodierna, vem assegurando seu espaço e importância no tecido social brasileiro vigente. Dessa forma, é nítida a relevância da integração feminina e de sua valorização na área esportiva. No entanto, aspectos como a cultura machista, em conjunto da difusão de padrões, inibem a maximização da sua participação nessa esfera.

Mormente, vale ressaltar que a cultura machista corrobora para a ampliação dos fatos supracitados. Logo, o sociólogo francês Pierre Bourdieu disserta sobre incorporação das estruturas sociais, ou seja, a sociedade vincula pensamentos difundidos ao longo dos anos e os reproduz com naturalidade. De maneira análoga, exemplifica-se o descaso com o futebol das mulheres pela prática do machismo, o qual se ancora nas raízes de uma estrutura social patriarcal que sobrepõe à figura masculina. Nessa perspectiva, resquícios atuais desse patriarcalismo fomentam na escassez da representatividade feminina no esporte, marginalizando-as. Dessarte, é alarmante que tal óbice advenha de forma tão constante.

Ademais, é de suma relevância evidenciar a difusão de padrões como fator propenso para expansão do empecilho aludido, posto que, comumente, parte dos indivíduos padroniza as características dos jogadores de esportistas aptos serem homens. Nesse viés, a futebolista brasileira Marta mostra-se como referência da luta feminina, uma vez que, através de suas realizações, foi eleita seis vezes como melhor jogadora do mundo pela Fifa. Todavia, nota-se que a jogadora não possui a mesma visibilidade que os homens que já ganharam o mesmo prêmio, de modo afirmar a conjuntura exposta. Por conseguinte, essa situação adversa culmina na disparidade salarial em cargos semelhantes.

Portanto, diante dos fatos elencados, é improrrogável que intervenções capazes de efetivar a participação das mulheres no esporte do Brasil sejam empreendidas. À vista disso, é dever do Ministério da Educação o desenvolvimento de palestras estudantis em escolas, por meio de debates elucidativos e apresentações, através profissionais altamente capacitados, voltadas à desconstrução de preconceitos e hábitos machistas. Outrossim, é viável por parte do Governo Federal, como mediador social primordial, a realização de campanhas de mobilização que quebrem os padrões e enfatizem a importância dos feitos esportivos femininos para a sociedade, com o fito de reverter o atual quadro em que o Brasil se insere e tornar eficaz a participação feminina nesse âmbito.