A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 17/07/2020
As mulheres possuem participações reduzidas em diversos cenários, principalmente no esporte, na qual foram excluídas de exercerem essa atividade por crenças limitantes sociais, observadas na história pelo patriarcado. No Brasil, a conquista das mulheres no esporte ainda é recente e precisa enfrentar vários desafios na busca de maior visibilidade, respeito e igualdade salarial, em que é imprescindível a luta pela desconstrução da superioridade de gênero que coloca muitas atletas na obscuridade.
Desde a antiguidade o mundo esportivo não fazia parte do cotidiano feminino, visto que, em Atenas, por exemplo, assistir e participar dos jogos olímpicos era proibido para mulheres sob a ótica de que elas além de não possuírem cidadania, tinham corpos e mentes frágeis para tal atividade, sendo posicionadas para a dedicação da vida doméstica. Essa construção continua nos dias atuais no Brasil impossibilitando um maior crescimento do esporte feminino, pois existe uma relação cultural misógina que é historicamente enraizada de que, os homens possuem capacidade física e inteligível melhor do que as mulheres. Isso implica no privilegiamento masculino no esporte do país, sempre tendo maior credibilidade, reconhecimento e investimento na área, sendo pouco destinado, recursos para o espaço feminino. Assim, dificultam o processo de expansão do esporte para as mulheres, perpetuando a supremacia do homens que estrutura mais o sexismo no país.
Outro aspecto importante, é a conquista das mulheres brasileiras no esporte na qual é recente, primeiro observada em uma pequena atuação da política de Vargas, vetada logo após a ditadura militar e depois permitida legalmente a participação feminina em todas as modalidades, somente em 2012. Esse sancionamento foi uma grande vitória feminina, porém é tardio, o qual infere nos obstáculos na arrecadação de lucros e investimentos para as atletas, que possuem baixos salários e menores visibilidades. Logo, programas, propagandas e patrocínios são insuficientes para inclusão integral de mulheres no esporte sobretudo, por não ter grande apoio popular como nas modalidades masculinas. Isso pode ser visto na condição da jogadora Marta, que é a maior artilheira da copa do mundo entre homens e mulheres, entretanto, possui um menor salário do que seus colegas homens e provavelmente ,não será, na maioria das vezes, a primeira opção na escolha de compra da camisa 10 como Pelé, que é o segundo maior artilheiro nessa classificação.
Desse modo, é indubitável que o esporte é ligado diretamente ao machismo e é necessário a luta contra esse conceito na sociedade para a valorização das mulheres no esporte brasileiro. Também é essencial a reflexão dos paradigmas masculinos no esporte em relação às mulheres, para haver maiores investimentos e reconhecimentos para aumentar a inclusão nesse cenário atual.