A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 01/08/2020
Em 2016, o mundo pode assistir a um fato interessante nas Olimpíadas do Rio de Janeiro: o aumento do número de mulheres nas delegações de todos os países. Infelizmente, a participação feminina no esporte ainda está longe de possuir o mesmo valor social e econômico que é dado aos homens. Esta realidade existe, em grande parte, devido à construção milenar, do papel feminino na sociedade e à falta do reconhecimento das mulheres como atletas.
Ao longo dos séculos, a Grécia Antiga serviu de exemplo para a humanidade em diversos âmbitos, desde a esfera política à esportiva. Nesta sociedade grega, somente os homens poderiam participar da política e das olimpíadas - uma vez que o papel da mulher era bem definido, por teorias filosóficas deterministas, e limitado aos cuidados e a manutenção da família. Apesar do seu declínio como civilização, a filosofia grega continuou influenciando a forma dos homens pensarem ao longo do tempo. E, por isso, somente no mundo moderno, as mulheres conseguiram o direito de participar dos jogos olímpicos, em 1900. Entretanto, em 1941, o Brasil, retrocedeu nesta conquista, por meio de um decreto que proibia a participação feminina nos esportes em geral, principalmente no futebol.
Vale ressaltar, também, que as primeiras atletas só podiam participar de esportes elitistas, individuais e ainda tinham a vestimenta como empecilho – as tenistas das olimpíadas do Século XX tinham os movimentos comprometidos devido aos longos vestidos da época. Atualmente, as atletas têm seus corpos retratados, na mídia, com mais ênfase do que o seu potencial esportivo. E essa questão, do apelo midiático ao corpo das mulheres, reflete diretamente na visibilidade de determinados esportes em relação a outros. Somado a isto, a baixa valorização do potencial esportivo tem reflexos tanto na quantidade de mulheres ocupando cargos de gestão e técnicas de times, quanto na remuneração financeira – que é sempre mais baixa do que comparado aos homens de mesmo cargo.
Além de entender estes fatores como agravantes da desvalorização feminina no esporte, infere-se, portanto, a necessidade de medidas que promovam a valorização e o respeito às mulheres no âmbito esportivo. Por isso, é imprescindível que o Governo Federal inclua o esporte como prioridade, através da recriação do Ministério do Esporte para que este, juntamente com o Ministério da Educação, possam formular uma nova política mais inclusiva e com mais perspectiva de carreira nesta área para as novas gerações.