A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 26/07/2020
O esporte, durante a história da humanidade, nem sempre foi uma ferramenta acessível. Logo, na Grécia Antiga, os famosos Jogos Olímpicos eram proibidos às mulheres, o que fortalecia o conceito de que a mulher pertencia apenas à vida privada com os afazeres domésticos. Todavia, na sociedade atual brasileira, o esporte torna-se cada vez mais presente entre o gênero feminino, porém há alguns empecilhos que ainda estão presentes no corpo social como a falta de visibilidade e o preconceito, decorrentes de uma estrutura patriarcal.
A princípio, é importante ressaltar que durante muito tempo na sociedade, a mulher assumiu um papel secundário em que o patriarca possuía completo poder sobre ela e em que não era bem vista no espaço público, uma vez que pertencia ao privado. Contudo, com os crescentes movimentos e lutas feministas ao longo da história, as mulheres conseguiram conquistar diversos direitos, e entre eles a participação no esporte. Todavia, em modalidades como o futebol, o gênero feminino enfrenta grandes dificuldades, dado que é uma atividade voltada ao público masculino e em que o machismo ainda está muito presente, com discursos, por exemplo, de que esse não é um exercício para mulher. Assim, a filósofa Simone de Beauvoir rebate pensamentos como esse e afirma que não existem qualidades e valores especificamente femininos, e que na verdade, esse é um mito criado por homens para prender as mulheres em suas condições de oprimidas.
Ainda, no período da ditadura militar, o conselho nacional de desportos deliberou a proibição de diversas práticas esportivas no Brasil pelas mulheres, alegando ser incompatível com as condições de sua natureza. Contudo, personalidades como a atleta Marta, comprovam o equívoco desse pensamento, posto que além de ser uma grande jogadora, conseguiu ultrapassar o Pelé e tornou-se a maior artilheira da Seleção Brasileira. Porém, quem estampa as propagandas televisivas, por exemplo, e possui grandes patrocínios são os jogadores masculinos. Além disso, muitas mulheres do meio esportivo afirmam sofrer injustiças, e segundo a ONG “women in Sport”, 40% das mulheres no ramo já sofreram alguma discriminação de gênero, o que evidencia que o preconceito ainda está presente.
Depreende-se portanto, que é necessária uma mudança nesse cenário. Cabe ao Ministério da Educação e Esporte promover atividades esportivas nas escolas, que é uma grande referência social na vida dos indivíduos, por meio de gincanas e campeonatos, que integrem todos os sexos, a fim de expor a importância da inserção de todos os gêneros no esporte. Além disso, a mídia em parceria com as empresas devem dar maior visibilidade às atletas femininas, por meio das propagandas, com o intuito de tornar a sociedade mais justa e, aos poucos, desconstruir essa estrutura patriarcal.