A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 31/07/2020
Semelhante a uma narrativa kafkiana, a sociedade contemporânea brasileira assiste perplexa à desvalorização do esporte feminino no Brasil. Segundo a Constituição de 1988, todo cidadão tem direito aos esportes. Entretanto, o preconceito com as mulheres e a falta de investimentos públicos e privados agrava tal problemática.
Com efeito, o movimento sufragista iniciado no final do século XIX garantiu o direito ao voto para as mulheres em diversos países do mundo. No entanto, tal realidade não se observa no esporte feminino brasileiro, no qual o preconceito - seja por parte dos homens, seja pelas próprias mulheres que não se sentem adeptas a esse meio - prejudica a visibilidade do esporte, além de tornar os campeonatos femininos menos visados e rentáveis em comparação ao masculino.
Outrossim, a falta de investimentos, seja público ou privado, cessa o crescimento do esporte feminino. Consoante o filósofo Aristóteles, em seu livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir os direitos do cidadão. Porém, devido ao investimento e suporte desproporcional com as mulheres no esporte, tanto por parte do governo quanto por parte da esfera privada, acaba por cessar o crescimento e desenvolvimento do mesmo, ademais, gera uma estrutura precária, além de condições não favoráveis à prática dos mais variados esportes, na qual perpetua o abismo entre o desporto masculino e feminino.
Destarte, medidas devem ser tomadas para alterar essa realidade. O Governo Federal em parcerias com empresas privadas de esportes locais deve conceder benefícios fiscais para times femininos que desejam iniciar suas atividades, além de maior facilidade com linhas de créditos,a fim de gerar concorrência entre os times, criação dos mesmos e mais incentivo de investimentos vindo de fora. Ademais, campanhas com a inclusão das mulheres no esporte, no qual mostrem que elas possuem as mesmas condições que os homens, a fim de gerar inclusão, devem ser realizadas, para que a narrativa kafkiana tão somente fique nas páginas da literatura.