A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 23/07/2020

A análise histórica revela que apenas em 1900, na segunda edição dos Jogos Olímpicos, as garotas puderam participar como atletas. Tal acontecimento demonstra que a exclusão de gêneros, também, se reflete no esporte e, infelizmente, ainda persiste no limiar do século XXI. Nessa perspectiva, apesar de sucessivas e lentas conquistas, a sexualização feminina, bem como os baixos investimentos, constituem os principais obstáculos à promoção delas nas competições no Brasil.

Nesse sentido, a prevalência de estereótipos sobre a figura da mulher inviabiliza a propagação dos jogos nos quais elas são protagonistas. Em suma, há na sociedade brasileira uma cultura do assédio sobre o corpo feminino que pode ser observada na dança-funk- e no carnaval. Dessa forma, como o esporte reflete habilidades e rendimento, limitando o espaço da erotização, ele acaba sendo suprimido das grandes mídias e do “marketing”. Além disso, as raízes que edificaram a sociedade em nosso país continuam embasadas no patriarcalismo, isso é, a crença na submissão, inferioridade e sensibilidade sob as meninas, logo, o preconceito torna-o desfavorecido em relação ao gênero masculino inclusive no esporte.

Seguindo essa linha, em agravo à problemática supracitada está a baixa destinação monetária às modalidades femininas. Segundo uma secretária-geral da FIFA, enquanto o futebol masculino dá dinheiro, o feminino prejuízo; quer dizer, a falta de uma série de pequenos investimentos fomenta uma cadeia de fracasso ao esporte das “meninas” que sobrevive pelo amor à profissão. Em resumo, há uma isenção participativa do Estado, da mídia, do público e das grandes empresas nessa modalidade, gerando um descompasso à promoção da mulher no esporte no Brasil.

Destarte, ao cabo de legitimar no passado a desigualdade de gênero no esporte, medidas se fazem prementes. Assim, cabe ao Ministério da Educação exigir, por meio de políticas punitivas ou recompensadoras, a manutenção de times compostos por meninas nas escolas; por exemplo, destinando verbas aquelas que cumprirem seu papel. Tal qual, o Ministério responsável pelo esporte promover incentivos fiscais às competições femininas oferecendo premiações e bolsas de estudo. Afinal, segundo Jostein Gaarden :" Um estado que não educa e promove suas mulheres, é como um homem que exercita apenas o seu braço direito", desse modo, desestruturar-se-á os desafios que impedem a valorização dos jogos das mulheres.