A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

O decreto-lei de 1941 assinado pelo então presidente Getúlio Vargas, proibia as mulheres de participarem de modalidades esportivas. Vigorada até 1979, essa lei reverbera até hoje com impactos negativos no que tange a valorização do esporte feminino Brasil. Seja pela falta de incentivo e visibilidade, seja pelos fatores culturais e sociais visivelmente patriarcal.

A priori, de acordo com a filósofa e feminista francesa Simone de Beauvoir, é através do trabalho que as mulheres podem mitigar as disparidades que as segregam dos homens. Contudo, no quadro esportivo feminino atual, as oportunidades de trabalho são escassas e injustas, pois, muitas vezes, surge acompanhada de poucos investidores e salários inferiores aos salários dos homens que executa a mesma função. Observa-se, por exemplo, a jogadora Marta, da seleção brasileira, considerada diversas vezes a melhor do mundo, mas jogou no Mundial Feminino de 2019 sem patrocinadores. Desse modo, o esporte feminino vai sendo desprestigiado.

Outrossim, as barreiras impostas pela cultura e sociedade patriarcal mistificam o que reza a Constituição Federal de 1988. Não existe equidade onde as mulheres que praticam esportes estão submetidas à desvantagens. Dessa forma, Eçá de Queiroz ao prescrever “a igualdade é a maior evidencia de civilização” acaba sendo contrariado pela atualidade e corrobora com práticas excludentes, desmerecendo o esporte feminino. Logo, faz-se necessária a outorga de reconhecimento positivo desse grupo desvalorizado.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Urge ao Ministério da Educação, somado ao Ministério da Mulher, instituir em escolas e centros olímpicos palestras ministradas por atletas femininas voltada aos jovens que queiram adentrar à vida esportiva, com o fito de desenvolver a importância do desporto feminino para que rompa com a cultura e sociedade patriarcal. Com isso, o esporte feminino será, de fato, valorizado. Senão, estaremos condenados à permanecer presos ao ideal de Vargas de 1941.