A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 17/07/2020
“Não se nasce mulher, torna-se mulher”, disserta Simone de Beauvoir na obra “Segundo sexo” de 1949, sentença que demonstra as dificuldades do processo de formação estrutural da mulher na sociedade. Ademais, as adversidades enfrentadas - sobretudo no esporte - por pessoas do sexo feminino vão ao encontro das perspectivas abordadas na obra de Simone, haja vista que a falta de valorização feminina no mundo desportivo em consonância com o preconceito enraizado no povo brasileiro em relação às mulheres, corroboram para tal adversidade.
Em primeiro plano, é notório a disparidade entre os salários de homens e mulheres em um mesmo esporte - futebol, vôlei, tênis - onde essas aparecem bem abaixo dos homens no “ranking” dos atletas mais bem pagos, o que demonstra um menor engajamento de patrocinadores nas modalidades femininas. Além disso, a desigualdade de valores atribuídos aos esportistas de gêneros diferentes expõe, indiretamente, uma atenuada adesão popular aos jogos com participações femininas. Nessa conjuntura, Oscar Wilde redigiu “o primeiro passo é o mais importante para a evolução de uma nação”. Sob essa ótica, faz-se necessário dar o “primeiro passo” em direção a uma maior valorização da mulher no esporte, a começar pela equiparação de salários, para evoluirmos socialmente.
Outrossim, presencia-se um intenso preconceito referente à participação da mulher nos diversos setores da sociedade, onde se destaca o esporte, que é visto por muitos como uma prática masculina por conta da intensidade e da falsa noção do “sexo frágil”, tal noção, passada por gerações, invalida a participação feminina e ajuda na desvalorização das mesmas no esporte. Sendo assim, Martin Luther King citou “a injustiça em qualquer lugar é uma ameça à justiça em todo lugar”. De maneira análoga, é preciso atenuar a injustiça praticada contra as mulheres, sobretudo no âmbito esportivo, para que seja sanada a atuação do agente que deprecia as práticas femininas em todo lugar: o preconceito.
Em suma, a valorização do esporte feminino é, portanto, uma problemática séria que deve ser amplamente debatida. Dessa forma, cabe ao Ministério da Cultura e Educação (MEC) pôr em prática, nas escolas, projetos de inclusão das mulheres nos esportes ofertados pelas instituições de ensino, além de promover uma maior visibilidade às atletas profissionais no âmbito escolar, visando uma adesão do público aos jogos e consequente elevação dos salários dessas, por meio de propagandas promovidas nas mídias digitais e de palestras aos alunos sobre a importância feminina nas atividades físicas, a fim de alcançarmos uma maior valorização da mulher no mundo desportivo.