A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 18/07/2020
A história da relação das mulheres com os esportes é marcada pelo preconceito e proibicionismo. Na Grécia Antiga, somente aos homens era concedido o direito de competir nas modalidades olímpicas. Já no século XX, tanto Getúlio Vargas como os líderes da ditadura militar brasileira, proibiram as mulheres de praticarem “desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”. Essas barreiras impostas ao longo dos séculos impediram o desenvolvimento da tradição da valorização do esporte feminino – como ocorreu com o masculino – causando prejuízos sociais e econômicos.
Para a melhor compreensão do debate, é imperativo a exemplificação através da análise da história do futebol. No Brasil, até 1979 o esporte era proibido para mulheres por decreto governamental, enquanto os times masculinos já haviam iniciado suas trajetórias. Essa diferença temporal permitiu aos homens passar do amadorismo para os clubes profissionais, criar uma base de torcedores sólida e desenvolver uma indústria que movimenta milhões - como o clube de futebol Palmeiras, que em 2018 faturou R$654 milhões. O mesmo processo – devido ao contexto sócio-histórico - foi negado as jogadoras que hoje sofrem, pois estão inseridas em um sistema vicioso e frágil que por não ter a valorização de torcedores não atrai investimentos, e não atrai patrocinadores porque não há público.
Além dos prejuízos econômicos, os danos sociais são igualmente relevantes, visto que são capazes de gerar reflexos em outras áreas de extrema importância. Segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a prática de exercícios físicos por mulheres no território nacional é 40% menor em relação aos homens. Ou seja, a cultura de não incentivar mulheres aos desportos – mesmo que de maneira não profissionalizante - representa um risco a saúde dessas cidadãs, visto que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a ausência de atividades físicas pode acarretar problemas de hipertensão, diabetes e colesterol alto.
Conforme o demonstrado, enquanto a sociedade não avançar para a paridade entre os gêneros, a economia está perdendo a oportunidade de desenvolver e lucrar com um mercado consumidor que possui o potencial de movimentar milhões de reais, e a população feminina, estatisticamente, continuará suscetível a uma vida enferma. Para que isso mude, as Confederações Esportivas do Brasil devem ter o compromisso de realizar o desenvolvimento das categorias femininas, por meio de investimentos em atletas de base, definições de calendários de competições, campanhas publicitárias em televisões e redes sociais – que darão visibilidade as atletas e proximidade ao público, para atrai-los – e, por fim, aparecerão os patrocinadores. Dessa forma os prejuízos econômicos e sociais aos poucos serão superados e ocorrerá uma real valorização do esporte feminino em todo o Brasil.