A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 30/07/2020
Durante a primeira edição do Jogos Olímpicos - evento multiesportivo mundial de esportes -, a participação de mulheres foi vetada pelo seu fundador Barão de Coubertine. Esse fato histórico evidencia a baixa valorização da participação feminina no mundo esportivo, refletindo inclusive no Brasil. Tal desvalorização ocorre nacionalmente como consequência da hipersexualização de suas atividades e do atraso histórico de seu desenvolvimento no país.
Primeiramente, destaca-se a série de comédia “How I Met Your Mother”, na qual, em determinado episódio, as atividades físicas de mulheres em uma academia são sexualizadas pelo personagem Barney Stinson. Fora do tablato da ficção, essa objetificação do corpo feminino ocasiona, no âmbito esportivo, um desvio no foco midiático da competência técnico-profissional para aparência estética das esportistas. A exemplo disso, há nas fotografias de esportes femininos um maior destaque à exibição de seus corpos, focando as imagens em poses estáticas, opondo-se às masculinas, que são majoritariamente capturadas em momentos de ação e movimento, como explicitou a professora Silvana Goeller. Essa realidade diminui a visibilidade das atletas que, como profissionais da área, não têm o objetivo de voltar a atenção do público para a sua aparência.
Além disso, houve no Brasil um período de 38 anos em que a prática profissional esportiva feminina era limitada pela lei 3199, que foi revogada em 1979. Esse desestímulo constitucional foi responsável pelo imenso atraso do desenvolvimento sócio-cultural do atletismo para as jovens brasileiras, fazendo com que elas chegassem, em fase de desenvolvimento e adaptação, ao mercado mercado competitivo já maturado pelos atletas masculinos. Esse fator resulta, nas equipes emergentes de garotas, uma menor quantidade de patrocínio em relação ao gênero oposto, criando um contexto social no qual a profissionalização e até mesmo a prática lúdica de tais conjuntos de atividades seja constantemente atribuídas apenas ao homens.
Portanto, é necessário que o Governo Brasileiro ,como responsável pela garantia dos direitos e da igualdade dos cidadãos, estimule o investimento em práticas esportivas femininas, através da diminuição tributária para empresas privadas que associem sua marca às equipes profissionais sem visibilidade para que as garotas da área tenham mais reconhecimento. Os veículos de mídia, por sua vez, devem diminuir a associação do corpo da mulher à sexualidade, priorizando relatórios, documentários e notícias de caráter técnico a respeito dessas esportistas, visando valorizar a capacitação das atletas.