A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 16/07/2020
A obra cinematográfica “Ela é o cara” relata a história de Viola, uma jovem apaixonada por futebol e que não se conforma com a extinção da modalidade feminina do esporte em sua escola. Em busca de uma solução para o problema, a jovem decide disfarçar-se e assumir a vaga de seu irmão gêmeo no time masculino, contornando, assim, o preconceito e a exclusão aos quais fora submetida. Concomitante a isso, no Brasil, torna-se crescente a preocupação com meios de valorizar e incluir a participação feminina no esporte. Nessa perspectiva, tal desafio deve ser analisado e superado de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.
É relevante abordar, primeiramente, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, quanto aos direitos que asseguram o bem-estar e a qualidade de vida do indivíduo e o convívio coletivo harmonioso, como a igualdade de gênero perante diversos âmbitos sociais. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é refletido no atual cenário brasileiro. Segundo dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a prática de atividades físicas por mulheres tem índice 40% inferior aos homens no país.
Faz-se mister, ainda, salientar os fatores etiológicos e impulsionadores do emblema. Segundo o sociólogo polonês Zigmunt Bauman, autor de “Modernidade Líquida”, a falta de solidez e o individualismo intrínsecos nas atuais relações humanas, bem como a transferência do ideal de melhoria coletiva para a de ascensão própria corroboram com o fenômeno da exclusão, da desvalorização e do desencorajamento da atuação feminina no esporte, além de legitimar o não cumprimento dos direitos inatos dos indivíduos.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo inclusivo. Dessa maneira, urge que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), em conjunto com o setor midiático, promova propagandas e campanhas para a população, nos meios físico e digital, por profissionais qualificados, a fim de conscientizar e instruir a sociedade quanto a relevância do conhecimento e cumprimento dos direitos que conferem uma melhor qualidade de vida e convívio a todos, além de encorajar a participação feminina nos esportes. Dessa forma, o Brasil pode superar a desigualdade de gênero na prática de atividade física.