A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 30/07/2020

Em 1821, pela primeira vez na história do Brasil, uma mulher tornou-se oficialmente integrante de um grupo militar e ganhou destaque na luta pela independência do país. Apesar do grande feito, Maria Quitéria teve dificuldades para alcançar seus objetivos e só foi aceita após disfarçar-se de homem. Séculos depois, é nítido que a realidade brasileira torna-se atemporal embora tenham garantido muitas conquistas, as mulheres do país ainda enfrentam problemas de inclusão em vários âmbitos, como por exemplo no esporte. Nesse sentido, cabe avaliar como o caráter patriarcal da sociedade e a ausência de investimentos dificultam a valorização do desporto feminino.

Em primeira análise, é valido averiguar como o viés machista presente em parte da sociedade prejudica a valorização de atividades físicas realizadas por mulheres. Isso porque, consoante ao escritor escocês Thomas Carlyle, a principal lei da cultura é deixar que cada um exerça o que tiver capacidade. Deste modo, é visível que, diversas vezes, tal lógica é contrariada no Brasil, uma vez que a influência do preconceito social impede inúmeras mulheres de realizarem esportes para os quais possuem talento e capacidade. Como resposta a isso, muitas brasileiras acabam por desistir da carreira esportista em prol de uma “postura correta”, o que favorece a desvalorização da mulher no esporte.

Somado a isso, a ausência de investimentos financeiros e apoio técnico eficiente é outro fator que dificulta o crescimento e o destaque feminino no âmbito esportivo. Isso porque, o baixo incentivo à modalidade dificulta a entrada feminina tanto em competições amadoras como em profissionais. .A exemplo, o filme “Menina de Ouro” abordou a historia de uma jovem boxeadora, que ao buscar auxílio técnico, tem seu pedido negado por ser mulher. Tal como na trama, muitas brasileiras não recebem qualquer tipo de incentivo para permanecerem no esporte e são forçadas a desistirem dos seus sonhos. Como consequência, a mulher tem seu talento ignorado, como outrora, e permanece no esquecimento.

Isso posto, torna-se necessário um debate a nível nacional sobre o tema. É cabível ao Ministério do Esporte  sanar a problemática. Para isso, a criação de políticas que desfaçam os preconceitos de gênero, através da formulação de comerciais e propagandas que vinculem a mulher ao esporte e destaque o seu talento é fundamental. Além disso, a destinação de verbas a clubes esportivos, afim de aumentar o investimento na categoria feminina, possibilitando sua participação, e equiparar o seu preparo técnico ao da classe masculina é de extrema importância. Somente assim, será possível alcançar igualdade no esporte brasileiro, e impedir que situação como as de Quitéria e de “Menina de Ouro” se repitam no Brasil.