A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 24/07/2020
No ano de 2019, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), institucionalizou a obrigação de todos os clubes participantes da série A do campeonato brasileiro possuírem uma equipe feminina. Nesse contexto, analisa-se uma maior valorização da presença das mulheres no meio desportivo. Entretanto, o esporte feminino ainda encontra muitas barreiras para ocorrer plenamente. Logo, é fundamental discutir os motivos e efeitos desse problema, além de desenvolver soluções.
De acordo com Rousseau, filósofo iluminista, o ser humano nasce livre, mas por toda parte se encontra acorrentado. Sob tal ótica, percebe-se a presença de valores arcaicos que aprisionam o imaginário da população brasileira e afetam o progresso da participação feminina no mundo desportivo. Isso se revela através de expressões comumente usadas, como por exemplo: “sexo frágil”, “lugar de mulher é na cozinha”, dentre outras tentativas de diminuir a capacidade das meninas, colocando-as em uma posição de inferioridade. Dessa maneira, o esporte feminino não consegue alcançar seu pleno potencial devido a raízes sócio-culturais altamente discriminatórias.
Por conseguinte, inúmeras mulheres em solo brasileiro enfrentam, em terrenos desvantajosos, lutas para conseguir realizar seus sonhos e praticar aquilo que amam. Segundo Nietzsche, filósofo alemão contemporâneo, o ser humano só consegue exercer sua potência quando consegue se dedicar naquilo que é bom e gosta. Nesse viés, as jovens não têm encontrado uma estrutura adequada para alcançarem seu potencial no esporte. Prova disso são as baixas oportunidades de ingresso das mulheres nesse meio, como também, as disparidades salariais entre os atletas masculinos e as esportistas.
Evidencia-se, diante disso, que o esporte feminino não tem recebido destaque e valorização suficiente no Brasil. Portanto, ações devem ser tomadas para mudar essa realidade. É necessário que o Ministério da Educação dissemine informações para combater as raízes preconceituosas que buscam diminuir o papel da mulher no meio esportivo. Isso pode ser feito por meio de palestras e debates nas escolas, com a presença de profissionais da educação física, ensinando que as mulheres possuem total capacidade para se desenvolver nos esportes, para mudar essa mentalidade desde cedo e as meninas se sintam livres para se dedicar e se interessar pela prática esportiva. Ademais, Parcerias Público-Privadas são fundamentais através de maiores investimentos que potencializem o ingresso feminino no ambiente desportivo, com utilização dos meios midiáticos para atração do público. Assim, será possível superar as barreiras que impedem o alcance do pleno potencial da vivência feminina no esporte.