A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 17/07/2020

“A história da humanidade é a história da luta…” das mulheres. Às luzes do sociólogo Karl Marx, que baseou seu pensamento na extinção das diferenças presentes na sociedade moderna, é certo que, analogamente, percebe-se a presença de um grupo que não foge à luta por seu espaço no corpo social: a população feminina. Diante disso, a conjuntura dessa análise configura-se, no Brasil, por meio da valorização do esporte feminino. Todavia, é fato que questões culturais e econômicas distanciam a mulher do seu desenvolvimento no mundo esportivo.

Evidencia-se, a princípio, que os homens, ao longo da história, proibiam a prática esportiva feminina, afirmando que seus corpos seriam masculinizados, o que corroborou para movimentos feministas reivindicarem a participação da mulher nos esportes. Nesse sentido, a escritora Simone de Beauvoir, no livro “O segundo sexo”, afirma que “as mulheres de hoje estão destronando o mito da feminilidade, começando a afirmar sua independência, mas não sem dificuldades mantém sua dignidade”. Essa dinâmica pode ser explicada pela maior participação das mulheres nos esportes na atualidade, de modo que esse engajamento esportivo foi um ato subversivo e de empoderamento que é capaz de influenciar e de transformar a realidade feminina.

Outrossim, cabe analisar que a desigualdade de gênero afeta o pleno desenvolvimento da mulher no esporte. Nesse viés, a formação histórica do gênero feminino está intimamente ligada à construção da inferioridade da mulher, já que calcados no discurso da superioridade masculina, seus salários mostram-se dispares. Dentro desse ínterim, as desigualdades de gênero estabelecidas impossibilitaram que as mulheres equiparassem seu piso salarial aos dos atletas masculinos, uma vez que são consideradas menos capazes e inferiores aos homens, transparecendo, assim, a dificuldade de valorizar a prática desportiva das mulheres através da recompensa econômica.

Dessa maneira, percebe-se que o debate acerca da valorização do esporte feminino é imprescindível. Portanto, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e o Ministério da Cidadania, através da Secretaria Especial do Esporte, devem, em conjunto, mediante amplo debate entre Estado, sociedade civil e profissionais especializados, lançar um plano nacional de incentivo à participação feminina no esporte, destinando maiores verbas para a construção de centros e de ginásios poliesportivos que acolham as mulheres nas diversas atividade físicas, com a fixação desse objetivo na Lei Orçamentária Anual. Tal projeto deverá focar no alcance da valorização do esporte feminino e na equiparação de salários entre homens e mulheres.