A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 16/07/2020
Quando se discute a questão da valorização do esporte feminino no Brasil, percebe-se que é um problema grave. Por essa razão, fica explícita a necessidade de debater como a falta de representatividade e incentivo entrelaçada a dificuldade no ingresso de meninas e mulheres no esporte agravam, ainda mais, essa problemática.
De início, é notável a influência da mídia quando se trata de representatividade. Segundo uma pesquisa do Conselho Superior do Cinema, realizada em 2012, jogos femininos representam 7% das transmissões esportivas no total. Com isso, fica claro que a falta de compromisso da mídia contribui cada vez mais para que menos meninas se vejam representadas no âmbito esportivo, o que as levam a crer que aquele não é o lugar delas. A jogadora brasileira Marta, em comparação aos jogadores homens mais famosos, é mais premiada, ainda assim não consegue ter o mesmo reconhecimento e patrocínio que esses homens. As mulheres são sub representadas na história geral e com o futebol não seria diferente, esse cenário de invisibilidade de esportistas femininas não pode continuar.
Além desse fator, a extrema força histórica e cultural dificulta a entrada de meninas em meios esportivos. Na Grécia Antiga, onde o esporte foi criado, era uma atividade exclusivamente masculina, por muitos séculos mulheres não puderam participar das olimpíadas, também de origem grega. Mesmo no Brasil, no ano de 1941, Getúlio Vargas assinou o decreto-lei 3.199 que proibia práticas esportivas às mulheres, afirmando que tais atividades não condizem com sua natureza. Assim, é explícita a dificuldade sofrida por mulheres para ingressarem nos esportes, a socialização feminina é rígida quando se trata de aprisionar a mulher em um determinado papel sexual. Em seu discurso para a ONU, a ativista Malala Yousafzai reforça: “A liberdade é o poder das mulheres.” Quando se é mulher, a possibilidade de escolher é um privilégio e também o seu poder. Por essa razão nota-se que a pobreza de representação feminina e o duro acesso aos esportes se fazem presentes nesse cenário.
Por esses aspectos, nota-se que a pobreza de representação feminina e o duro acesso aos esportes se fazem presentes nesse cenário. Sendo assim é vital que a Mídia transmita mais conteúdo esportivo feminino, por intermédio de plataformas de fácil acesso com o objetivo da figura da mulher nos esportes chegue a um número maior de meninas. Além disso, é necessário que o Estado incentive a inclusão de meninas nos esportes por meio de políticas públicas que garantam espaço para elas a fim de a cultura do esporte e o reconhecimento esportivo seja desfrutados independe do sexo biológico. Feito isso, o problema poderá ser devidamente combatido.