A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 19/07/2020
Segundo o Barão de Coubertin -fundador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna- as mulheres estavam proibidas de participar das competições, já que, ao vulgarizar o espaço esportivo, tornavam-se indecentes. Do mesmo modo, a sociedade brasileira patriarcal do século XIX restringia ao público feminino a função de mãe e esposa. Com isso, visto o histórico de desvalorização desse público no exercício dos esportes, substancial parcela dos brasileiros, influenciada pelos ideais de Coubertin e do patriarcalismo, é incapaz de reconhecer a importância atlética do grupo. Dessa forma, a valorização do espote feminino no Brasil encontra entraves devido aos estereótipos e à sensualização.
A princípio, os estereótipos sociais patriarcais impedem o reconhecimento do esporte feminino no Brasil. Nesse viés, a existencialista Simone de Beauvoir alertou que a sociedade valoriza mais o papel social do indivíduo do que ele próprio - o que conceituou de Invisibilidade Social. Sob essa ótica. o conceito de Beauvoir torna-se claro no Brasil, uma vez que o estereótipo da função de cuidadora do lar, herdada do patriarcalismo, acaba por desvalorizar aquelas que exercem atividades físicas. Desse modo, a crença excessiva nessa função social termina por inviabilizar a efetiva inclusão feminina nos jogos- vistos como locais exclusivos da masculinidade. Isto posto, não é razoável que um país se mostre incapaz de considerar as mulheres e perpetue as ideais patriarcais no meio esportivo.
Além disso, a exposição sensualizada do corpo das atletas dificulta a valorização das suas práticas esportivas. Nesse sentido, o artigo 5° da Constituição Federal - chamada de Cidadã- garante que ninguém será submetido a tratamento degradante. Contudo, a mídia é apática em relação a esse direito, pois em sites e jornais o corpo das atletas é exibido de forma estática e sensualizada e, portanto degradante - em desrespeito à Carta federal. Assim, esse tipo de exibição termina por se tornar um obstáculo que, ao deturpar o real sentido do esporte com a sensualização exagerada, ameaça o progresso e a consideração das mulheres no contexto desportivo.
Portanto, é necessário considerar o esporte feminino no Brasil. Para tanto, é preciso que a sociedade desfaça os estereótipos patriarcais do século XIX, por meio da busca, na história, de conquistas importantes das mulheres, a fim de mitigar a invisibilidade social do grupo nos esportes. Por fim, o Ministério do Esporte deve aplicar mais rigor na exposição midiática das jogadoras, por meio da fiscalização semanal das publicações, por uma equipe específica do Ministério, de modo a identificar aquelas que mostram somente o sensual e notificar a mídia responsável, com o intuito de amenizar a sensualização. Logo, o pensamento patriarcalista de Coubertin poderá ser esquecido, à medida que os padrões antigos são desfeitos e as mulheres, reconhecidas no cenário olímpico.