A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 17/07/2020
No ano de 2019, a França sediou a Copa do Mundo de futebol feminino. Com a ocorrência de tal evento, notou-se uma grande discrepância de público, se comparado com eventos masculinos da mesma modalidade anteriormente realizados, com estádios parcialmente vazios e baixo engajamento do público. Acerca dessa premissa, a pouca valorização do esporte feminino é uma realidade na sociedade contemporânea, visto que, as esferas de poder têm sido negligentes quanto ao combate da desigualdade de gênero.
Em uma primeira análise, vê-se que a desvalorização da imagem feminina não é uma adversidade atual. Desde a fundação na sociedade brasileira, isto é, no chamado o Brasil Colonial (séculos XVI - XIX), a cultura machista e patriarcal foi implantada na mesma, a saber que o homem era tido como chefe da família e superior as mulheres. Nesse contexto, a imagem feminina nos esportes foi posta em segundo plano, monopolizando uma prática que, em tese, deveria ser praticada por todos. Por conseguinte, as mulheres não desfrutam da função catártica do esporte, ou seja, de todos os seus benefícios físicos e psicológicos.
Ademais, cabe ressaltar que a pouca eficiência do estado brasileiro tem agravado ainda mais essa disparidade. Observou-se, na Grécia Antiga, o surgimento do princípio da isonomia, que assegurava ao cidadão ateniense a igualdade perante a lei. Na atualidade brasileira, entretanto, este princípio não pode ser observado nos esportes, evidenciado principalmente pela falta de investimentos estatais em mecânicas que beneficiam a prática de esportes por mulheres. Assim sendo, o preconceito e a opressão somadas a ineficiência estatal, retomam a um cenário de exclusão como observado no período colonial.
Diante do exposto, algo precisa ser feito com urgência para amenizar a questão. Logo cabe a Secretaria dos Esportes, em parceria com o Congresso Nacional, criar um programa nacional de incentivo à prática de esportes, construindo em cidades de médio porte centros esportivos e dedicados as mulheres. Nesse sentido, o fito de tal ação amenizar a atual degradação da imagem feminina nos esportes, respeitando, assim, o princípio da isonomia ateniense e contribuindo para um maior interesse do público, em contraste, com o ocorrido no ano de 2019.