A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 23/07/2020

Merida, princesa da Disney, é uma habilidosa arqueira, porém, em seu reino, essa atividade é executada predominantemente por homens, destarte, ao praticá-la enfrenta resistência materna. De forma semelhante, as mulheres do século XXI ao exercerem atividades esportivas são desvalorizadas, devido a essa área ser vista exclusiva para o sexo masculino, o que se configura em um pensamento retrógrado. Por assim ser, é importante analisar a historicidade dessa problemática, bem como o panorama atual que a envolve.

A princípio, a antropóloga Margaret Mead apresentou o conceito “papéis sociais”, o qual reflete sobre os comportamentos esperados pela distinção entre gêneros. Nesse contexto, destaca-se a proibição das mulheres em práticas esportivas, visto que essas foram vistas ,por muito tempo, como apenas reprodutoras, além de frágeis , dessa forma, atividades esportivas poderiam ameaçar o físico feminino. Para ilustrar, em 1900, na segunda edição dos Jogos olímpicos da Era Moderna, era permitido que elas participassem apenas de modalidades como tênis, ainda, golfe ,ou seja, categorias que não as “comprometessem”, por não apresentarem contato direto. Esse cenário foi expresso no Brasil por meio do Decreto-Lei número 3199 de 1941, o qual proibia as mulheres de executarem oficialmente lutas, bem como atividades de longa distância.

Outrossim, conforme o sociólogo Pierre Bourdieu, os indivíduos tentem a incorporar pensamentos de determinadas épocas, o que evidencia que a desvalorização das mulheres em práticas esportivas é um problema secular. Nesse viés, mesmo com revogamento da proibição das mulheres em esportes em 1979, os seus desafios nessa área não foram anulados, pois elas possuem muitas vezes a sua dignidade ameaçada ao terem que se submeterem a testes de gênero, quando elas têm um desempenho acima da média. Ademais, esportes femininos carecem não só de divulgação, como de patrocínio, o que pode ser evidenciado pela jogadora de futebol Marta, a qual ultrapassou a quantidade de gols do “Pelé” , todavia, esse fato não é de conhecimento público.

Portanto, a ausência das mulheres na área esportiva, no Brasil, necessita ser subtraído, considerando a historicidade dessa problemática, bem como o panorama atual que a envolve. Assim, cabe ao Ministério da Economia, coordenado por Paulo Guedes, promover ações que aumentem a publicidade do esporte feminino, isso ocorrerá por meio da inserção de impostos para empresas que promoverem o desenvolvimento dessa área. Essa medida objetiva combater essa desvalorização nesse meio, antes que mais mulheres sofram com esse impasse, como a jogadora Marta e a personagem fictícia Merida, além de atividades deixarem de serem universais devido ao gênero.