A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 17/07/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a não valorização do esporte feminino apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Seja seja pelo sistema machista em que as mulheres estão inseridas, seja pela baixa atuação governamental.

Precipuamente, é imperativo ressaltar a cultura machista como promotor do problema. Partindo desse pressuposto, às mulheres, desde cedo, são ensinadas que o esporte é uma profissão destinada aos homens. Essa ideia é difundida de maneira subjetiva rotineiramente no cotidiano social. Um grande exemplo disso são as emissoras que se limitam a transmitir grandes campeonatos esportivos de times masculinos e empresas de materiais esportivos que promovem majoritariamente campanhas com atletas homens. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que as mulheres ao não possuírem as mesmas oportunidades encontram barreiras econômicas e psicológicas que as levam a desacreditar do esporte como uma possibilidade real de realização profissional.

Ademais, é fulcral pontuar que a desvalorização do esporte feminino deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne a políticas públicas que incentivem e possibilitem mulheres desde jovens a se dedicarem ao esporte como profissão. Segundo o pensado Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido a falta de programas que auxiliem financeiramente e psicologicamente, principalmente, a jovens mulheres de níveis socioeconômicos mais fragilizados, o esporte deixa de ser visto como uma possível profissão, uma vez que o investimento federal no esporte beneficia amplamente os competidores homens, secundarizando o sexo feminino e impossibilitando a dedicação necessária das atletas.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a desvalorização do esporte feminino, necessita-se que o  Governo Federal promova programas sociais a jovens mulheres que se dedicam ao esporte para que possam ter auxílio financeiro e psicológico para continuar a se dedicar a profissão, bem como que o Ministério do Esporte em parceria com as grandes marcas e os canais televisivos incentivem a promoção  do feminino no esporte com igual visibilidade e igual capital que é destinado ao sexo masculino. Desse modo, o esporte feminino terá maior representatividade e poderá ser visto como tão importante quanto o esporte masculino, atenuando em médio e longo prazo o impacto nocivo do problema, e a coletividade alcançará a Utopia de More.