A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 17/07/2020
Segundo o relatório ‘‘Momento é vida’’, realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a prática de exercícios físicos por mulheres no Brasil é 40% inferior aos homens. Esses dados são um indicativo de que ainda existe muita desigualdade de gênero no cenário esportivo. Embora as mulheres estejam conquistando cada vez mais espaço nos esportes ao decorrer do anos, é notável a necessidade de uma maior valorização do esporte feminino Brasil.
A princípio, é válido ressaltar o quanto a sociedade patriarcal — forma de organização social caracterizado pela supremacia masculina, desvalorização da identidade feminina e atribuição funcional do ser mulher, apenas para procriação, segundo a historiadora Joan Scott — contribui para esse cenário. Uma das características do patriarcado é o forte incentivo as mulheres se dedicarem apenas a tarefas domésticas, tal fato é um indicativo do porquê foi e ainda é tão difícil a inserção da mulher no cenário esportivo. A título de exemplificação, em 1941, no Brasil, foi publicado um decreto de lei que proibia as mulheres de praticarem a maior parte dos esportes existentes na época, entretanto, esta mesma lei não restringia nada aos homens. O decreto só foi abolido em 1979.
Diante do exposto, é possível concluir que a falta de incentivo e o preconceito são os principais fatores que dificultam uma maior valorização do esporte feminino no Brasil. Logo, é necessário criar medidas para que as mulheres, desde a infância até a fase adulta, se sintam confortáveis em praticar esportes. As escolas deveriam incentivar a prática esportiva feminina desde os anos iniciais nas aulas de educação física, além de conscientizar os alunos por meio de palestras de que uma mulher praticar esportes é algo tão normal quanto um homem praticar esportes. Ademais, os veículos de comunicação como televisão e serviços de streaming poderiam transmitir mais jogos femininos de forma assídua, como partidas de futebol, vôlei, natação e entre outras, para que isso se torne para que isso se torne algo comum no cotidiano da sociedade brasileira.
Pode-se perceber, portanto, que as raízes históricas e ideológicas brasileiras dificultam a valorização do esporte feminino. Para que essa valorização seja possível, o Ministério da Mulher juntamente com o Superministério da Cidadania, o MEC e veículos de comunicação criem um projeto que incentive a prática feminina de esportes já nas escolas, uma alternativa seria um horário de educação física somente para as meninas, além disso, o aumento da transmissão de esportes femininos via internet ou até mesmo pela televisão seria essencial para a desconstrução da cultura de que mulheres não podem praticar esportes, embora o efeito dessas medidas possas ser notado somente a longo prazo, as próximas gerações iriam crescer sem o preconceito de mulheres no esporte.