A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 17/07/2020
A história do Brasil aponta que a sociedade brasileira foi construída tendo como base o patriarcado. Por isso, durante muito tempo, as mulheres assumiram um papel de subalternidade, já que essa sociedade foi pensada por e para homens. No esporte não foi diferente. Durante a ditadura militar, a prática de esportes como o futebol era proibida para as mulheres, e ainda hoje elas se veem obrigadas a lutar por espaço, visibilidade e valorização, seja como atletas, técnicas ou em cargos administrativos.
De acordo com o Art. 217 da Constituição Federal de 1988, é dever do Estado promover práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um. No entanto, dados do relatório “Movimento é vida” do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mostram que a prática de exercícios físicos por parte das mulheres é 40% inferior em relação aos homens, o que indica uma enorme desigualdade no acesso a essas práticas.
Outrossim, ao analisar dados como esse, é válido o questionamento: quais são as razões dessa disparidade? Muitas são as respostas possíveis, como a desigualdade de acesso ao lazer, já que as meninas e mulheres costumam dedicar o dobro de horas semanais nos afazeres domésticos quando em comparação com o tempo dedicado por meninos e homens, segundo dados do IBGE (2015); a perpetuação da ideia, muitas vezes fomentada em casa, de que os esportes não são práticas para mulheres; a falta de incetivo e desvalorização da presença da mulher nesses espaços, dentre outras.
Indubitavelmente, as mulheres tem conseguido cada vez mais visibilidade nos esportes, graças à luta feminina por esse direito básico. No entanto, ainda há muito a ser alcançado para que o desporto feminino tenha a mesma valorização, visibilidade e investimento que o masculino.
Nesse sentido, é dever do Estado proporcionar os meios necessários para atingir essa igualdade, como previsto na Constituição Federal de 1988, lei suprema do país, e tendo como base o princípio de isonomia, segundo o qual todos são iguais perante a lei, tendo, portanto, os mesmos direitos. O Conselho Nacional do Esporte deve trabalhar em prol da inserção de mulheres no esporte, através da criação de políticas públicas que visem a democratização do acesso a essas práticas, do investimento em bolsas de auxílio e da criação de campanhas que sejam capazes de enaltecer o esporte feminino no país, através da conscientização de que esse é também um espaço para as mulheres brasileiras.
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