A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 27/07/2020

" O homem é visto como ser humano e a mulher, fêmea". Tal frase de Simone de Beauvoir é análoga à situação da participação das mulheres no esporte, ratificando a existência de uma ideologia machista em meio aos brasileiros. Outrossim, a falta de incentivo e de patrocínio impedem a ocorrência de um desenvolvimento pleno dessa modalidade. Nesse sentido, é necessário analisar a problemática, intrinsecamente ligada a aspectos sociais e educacionais.

É importante ressaltar, em primeiro plano, de que forma os jogos femininos são abordados pela mídia. As publicidades estão permeadas de jogadores famosos como Neymar e Cristiano Ronaldo, contudo são raros os comercias com a participação de atletas que não sejam homens. Além dessa ausência de visibilidade, há a inércia dos clubes em organizar times específicos. O cenário retratado começou a alterar-se a partir das determinações da FIFA em 2019, das quais a criação deles seria obrigatória para os times componentes. Mostra-se, assim, que, apesar dos esforços ao longo dos séculos, a posição da mulher ainda é preterida.

Cabe mencionar, em segundo plano, as causas que levam muitas jovens a desistir do ingresso nesse ramo. O patriarcalismo, existente desde o Brasil Colônia, criou um ideal de dama: delicada, submissa e responsável pelos afazeres domésticos. Tal pensamento ainda reside em parte da população, fazendo com que esta acredite na “masculinização” das moças pelo esporte. Ademais, há a falácia disseminada acerca da orientação sexual das mesmas, ou seja, criaram uma ligação irracional entre praticar esportes e não ser heterossexual. Isso ocorre, em grande parte, à educação misógina recebida por nós desde a infância, a qual nos impõe a segregação de gêneros a partir do momento em que prendemos que " rosa é de menina e azul é de menino".

Infere-se, portento, que a participação das mulheres no esporte possui íntima relação com aspectos sociais e educacionais. Desse modo, é imperiosa uma ação do Governo Federal através da formulação de uma lei, tornando mandatória a existência de uma liga feminina em todos os clubes nacionais, com o fito de promover a isonomia, princípio defendido pela Constituição. Visando ao mesmo objetivo, exigir a igualdade de salários entre os atletas, independente do sexo. Assim, paulatinamente as práticas esportivas deixarão de ser vinculadas ao Indivíduo masculino e, parafraseando Simone de Beauvoir, à mulher não caberá somente o título de fêmea.