A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 18/07/2020

A Revolução Francesa de 1789 protagonizou uma luta por igualdade, porém as mulheres embora  tenham participado ativamente da Marcha de Versalhes, por exemplo, não tiveram seus direitos reconhecidos como ocorreu com os homens.Essa desigualdade faz-se presente em diversas áreas inclusive à do esporte. No Brasil, percebe-se uma constante desvalorização em relação ao esporte feminino devido não só a uma herança patriarcal, mas também à falta de subsídios e visibilidade na mídia nacional.

O corpo social brasileiro foi construído tendo em vista um sistema arcaico em que a mulher é inferiorizada em detrimento do homem.Sendo assim, a figura feminina ao tentar adentrar espaços antes tidos como estritamente masculinos, como o esporte, acaba sofrendo uma série de preconceitos. Ela é vitima de uma violência simbólica, conceito abordado por Pierre Bourdieu, a qual apesar de não   abranger coação física causa danos morais e psicológicos. Esse preconceito está arraigado em nossa sociedade e já foi legitimado por lei  em  1941 através do decreto 1.399 que proibia a mulher de praticar vários esportes, inclusive o futebol, e deixou sequelas que ainda refletem atualmente.

Ademais, outro fato que corrobora para a desvalorização do esporte feminino é a falta de visibilidade na mídia. Os elementos midiáticos, na maioria das vezes, acabam propagando um esteriótipo feminino frágil, objetificando o corpo da mulher e convencendo-a que o seu papel social é exclusivamente servir ao homem ou destinar-se à maternidade. Ou seja, a mídia dita os comportamentos femininos tidos como ideais, e afasta da mulher a possibilidade de se empoderar e ocupar outros nichos relacionados, por exemplo,  à pratica de esportes. Mesmo aquelas que já praticam futebol ou outras atividades olímpicas, embora tenham as vezes resultados superiores aos masculinos não são citadas  e reconhecidas. Com essa pouca visibilidade as empresas não patrocinam as atletas e, por falta de subsídios, muitas não conseguem continuar a exercer as atividades devido a dificuldades financeiras.

Tendo em vista os argumentos supracitados, portanto,  percebe-se o quanto o esporte feminino no Brasil é desvalorizado. Sendo assim, cabe ao Governo Federal promover campanhas que visem incentivar e empoderar as mulheres  à pratica e competição esportiva, como também vise conscientizar todo o corpo social em relação à importância da figura feminina neste meio. Além disso, cabe ao Conselho Nacional do Esporte (CNE) a oferta de bolsas para as atletas afim de promover e assegurar a valorização do desporto nacional feminino, assim como a inserção de mais mulheres no ramo. Dessa forma, será possível proporcionar uma efetiva valorização dessa minoria.