A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 19/07/2020
“No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho”. Os versos de Carlos Drummond de Andrade exemplificam, atemporalmente, os desafios para a valorização do esporte feminino no Brasil. A problemática é fruto tanto das questões socioculturais intrinsecamente ligadas a uma sociedade patriarcal - na qual a ideia de superioridade de gênero ainda persiste -, quanto do silenciamento midiático em questão.
Nessa perspectiva, é válido pontuar, de início, que a lenta mudança na mentalidade da coletividade configura-se como um completo dificultador da temática. Conforme o empirista Francis Bacon, na nossa mente existem os chamados “ídolos da caverna”, os quais seriam obstáculos, distorções ou ilusões que bloqueiam a mente humana. Dessa forma, conscientes de que os ídolos impedem-nos de conhecer o novo, seria necessário o homem despir-se de seus preconceitos, reconhecendo, assim, a mulher como uma verdadeira atleta diante da coletividade, despojando-se de pensamentos retrógrados.
Além disso, a falta de conhecimento acerca do presente fator por meio de setores informativos, implica para a desvalorização da massa feminina no esporte. Nesse sentido, o filósofo Arthur Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determina seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso a sérias informações sobre a mulher no âmbito esportivo, sua visão será limitada. Com isso, infere-se que tal aspecto dificulta o seu apreciamento na comunidade hodierna.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para solucionar os impasses. Dessarte, com o intuito de dirigir a sociedade a uma mudança proeminente no que concerne à aceitação feminil no plano atlético, urge que o Ministério da Educação leve uma didática de ensino coesa e de qualidade às escolas para que desde a infância, as crianças - principalmente as meninas - saibam a importância de erradicar os preconceitos a respeito do assunto. Essa ação deverá ser feita por meio da criação de clubes e debates estudantis que irá ser responsável pela formação crítica dos jovens no presente viés. Consequentemente, os estudantes terão o devido conhecimento da tese em pauta, proliferando o tópico nas suas redes sociais. Sendo assim, conquistar-se-á o alcance midiático fundamental e as “pedras” no caminho serão retiradas.