A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 20/07/2020
Na Grécia Antiga, foram criados os Jogos Olímpicos, festival religioso e atlético voltado para a competição em diversas modalidades. Porém, pela presença de um povo patriarcal, no qual as jovens e as adultas eram destinadas ao trabalho doméstico e materno, apenas os homens participavam do evento. Nesse sentido, ao decorrer dos anos, apesar do empoderamento da mulher vir sendo o responsável pela sua inserção na sociedade e nas práticas esportivas, no Brasil ainda perdura um pensamento semelhante à antiguidade, visto que a valorização do esporte feminino no país é alvo de preconceito e falta de investimento e reconhecimento.
Em princípio, no governo de Getúlio Vargas em 1941, especificamente durante Estado Novo, a presença de mulheres no futebol foi proibida por lei, sendo revogada apenas em 1979. Desse modo, percebe-se até os dias atuais uma duradoura cultura machista, em que a sociedade as enxerga como insuficientes para o exercício esportivo, alegando que a fragilidade as tornam inferiores e acarreta a perda da feminilidade e da função de “dona de casa”. Além da objetivação das atletas, ou seja, a percepção apenas corporal e estética, deixando de lado as suas jogabilidades, o real objetivo. Todos esses são uns entre os inúmeros elementos preconceituosos que acabam desestimulando a inserção e desempenho delas na área.
Ademais, em 2015, Marta foi considerada a maior artilheira da Seleção Brasileira, com mais gols que Pelé. Entretanto, minoria das pessoas têm conhecimento desse fato, posto que pouco se divulga sobre a atuação das atletas no cenário. Nesse seguimento, é notório a vivência numa esfera capitalista, na qual se investe em algo rentável e comentado. Não é diferente na mídia esportiva, a qual denota que os homens possuem mais reconhecimento em relação as mulheres, uma vez que a visibilidade dessas é mínima. Assim, propiciando o maior investimento em contratos e propagandas masculinas e imobilidade da participação feminina nos meios representativos e midiáticos.
Portanto, nota-se que as relações de gênero afetam a prática esportiva, já que ainda persiste uma cultura preconceituosa quanto à atuação da mulher nesse feito. Logo, torna-se necessário a intervenção do Governo Federal através do Ministério do Esporte, esse incorporado ao Ministério da Cultura, na criação de projetos para a formação de equipes femininas nas diversas modalidades, além da exibição de propagandas no âmbito midiático sobre a valorização e importância delas no esporte. Assim, espera-se incentivar a atividade dessas e quebrar padrões tutelados como o da Grécia Antiga.