A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 19/07/2020
A participação da mulher como sujeito ativo na sociedade vem sofrendo represálias desde a Antiguidade. Tanto nos âmbitos político, cultural, social e esportivo, as mulheres não são valorizadas devido ao machismo enraizado na sociedade, o qual cede espaço e atribui valor somente às tarefas domésticas. Esse é o fator crucial que consolida o preconceito frente às diversas atividades que as mulheres podem, e devem, realizar.
Na Grécia Antiga, em meados do século VI a.C., as mulheres eram impedidas de participarem politicamente do sistema “democrático” da época, justa e unicamente por serem mulheres, logo, não sendo consideradas cidadãs. Esse impedimento também era estendido às práticas esportivas. As mulheres ganharam espaço esportivo somente na virada do século XIX para o século XX. Isso demonstra um dos motivos pelos quais não há uma grande apreciação e incentivo as mulheres no esporte, visto que é um acontecimento que, infelizmente, não foi enraizado socialmente.
Com o advento da contemporaneidade e as manifestações feministas, as mulheres foram ganhando espaço na sociedade. Entretanto, esse espaço ainda é muito limitado e assustadoramente machista. Atualmente, o esporte, como um espaço social, foi sendo ocupado de maneira esplêndida pelas mulheres, evidenciando o fato de que deve ser um espaço inclusivo e não excludente, independente do gênero. Isso pode ser evidenciado diante algumas circunstâncias, dentre elas, de que o Brasil possui a maior artilheira da história da Copa do Mundo de futebol feminino, além da seleção brasileira de futebol ter vencido de 7x1 o Equador nos jogos PanAmericanos de 2015. Esses eventos comprovam a indiferença entre os jogos femininos e masculinos, pois estes são mais valorizados quando ganham títulos e constantemente são apresentados nos canais de televisão, recebendo visibilidade até quando foram derrotados pelo 7x1 da Alemanha, enquanto aqueles são alvos de desdém e discriminação.
Diante toda essa conjuntura, conclui-se afirmar que o homem é definido como ser humano e a mulher é definida como fêmea, quando ela comporta-se como um ser humano ela é acusada de imitar o macho, como já dizia Simone de Beauvoir, isso se dá por conta dessa desvalorização das mulheres frente aos esportes, principalmente o futebol, atribuindo-as características viris. Dessa forma, cabe ao Governo Federal, em parceria com os canais brasileiros da TV aberta, estabelecer equidade nas apresentações esportivas, mostrando todo o empenho, poder e força que as mulheres possuem no mundo dos esportes, assim, começará a valorização do esporte feminino no Brasil, explicitando o que a mulher pode, e deve, realizar.