A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 21/07/2020

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra ladeira acima, todavia ela retornava à sua posição inicial ao atingir o topo, o que resultava em uma luta constante. De maneira análoga, o grupo feminino tem lutado por sua valorização no âmbito esportivo, mas essa busca tem sido dificultada devido à ausência de patrocínio, a qual está intimamente ligada aos protótipos presentes na sociedade, e à cultura brasileira de vulgarizar a imagem da mulher, o que, consequentemente, faz com que suas possíveis habilidades sejam colocadas em segundo plano.

Primordialmente, salienta-se o alto patrocínio do esporte masculino em contraste com o do feminino, tendo, como exemplo, a jogadora brasileira Marta que, na Copa Mundial de Futebol Feminino em 2019, jogou com uma chuteira sem patrocínio  porque, de acordo com informações do Jornal da Record, não houve propostas no nível das que foram ofertadas aos jogadores. Isso se dá pela existência de protótipos na sociedade, onde há uma importância maior para os jogadores e as habilidades das mulheres não são valorizadas, haja vista que a Jogadora Marta possui 6 títulos, por sua competência no futebol, e, ainda assim, não houve a valorização de sua participação na última copa.. Com isso, percebe-se que há uma falta de incentivo e investimento para o esporte feminino, consequentemente a ascensão desse grupo é prejudicada e a equidade de gênero não é alcançada.

Em segundo lugar, consoante aos fatos supracitados, a cultura brasileira é marcada pela exaltação da imagem feminina, ou sensibilidade, ao invés de suas habilidades. Isso se confirma ao analisar que, comumente, as propagandas de bebidas alcoólicas trazem a exposição de mulheres como troféu e a exaltação de seus corpos. De forma semelhante, jovens meninas são contratadas para ser modelos, com o corpo em grande parte exposto, de marcas como, por exemplo, a Adidas, a qual patrocina o time flamengo masculino e não investe no esporte feminino. Por conseguinte, nota-se que há um investimento na beleza feminina, mas não há uma valorização de suas habilidades esportivas, o que , infelizmente, contribui para que a cultura de vulgarização continue na sociedade e a luta das mulheres pelo progresso do esporte feminino no Brasil e mundo retroceda.

A vista disso,  a fim de tornar a luta pela valorização do esporte feminino amena, é perceptível que medidas precisam ser tomadas. Cabe ao Governo investir no Ministério da Educação, por meio de verbas que devem ser destinadas à criação e ao preparo de grupos de esporte constituídos por meninas e aos jogos escolares, com o auxílio dos professores de educação física, com a finalidade de modificar o padrão presente na sociedade por meio da educação. Dessa forma, torna-se-á possível a mobilização desse viés e ocorrerá uma equidade de gênero no tocante às práticas esportivas.