A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 20/07/2020
A participação oficial das mulheres no esporte tem sido cada vez maior, o que fica claro para todos. Entretanto, segundo dados divulgados pela revista Veja, o salário dos homens no esporte, quando comparado ao do gênero oposto, é 118% maior. Dessa forma, torna-se imprescindível o debate sobre a baixa valorização do esporte feminino no Brasil, que só pode ser plenamente analisado através da compreensão do papel do Estado na construção dessa problemática e a falta de incentivos e investimentos recebidos.
Primeiramente, em 2019 foi exigido às equipes da Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol a criação de times femininos, requerimento de extrema importância para amenizar as sequelas do Decreto-lei de 1941 que proibia às mulheres a “prática de esportes antagônicos à natureza feminina”. Sob essa perspectiva, entende-se que a atuação do Estado contribuiu para a propagação do machismo na área do esporte e, portanto, hoje deve fazer o possível para remediar principalmente o descaso da comunidade brasileira com as competições femininas.
Outrossim, tendo em vista que o esporte na escola é importante para a criação de valores, os incentivos ao público feminino no esporte devem atuar já na formação educacional para romper com preconceitos em relação a feminilidade das meninas que praticam esses exercícios. Então, entende-se a correlação entre a falta de visibilidade do esporte feminino no Brasil e os baixos investimentos recebidos desde o desenvolvimento feminino infantil. Desse modo, enquanto a atuação do Estado é falha, ONG’s como Empodera – transformação social através do esporte, estimulam a prática esportiva como ferramenta para discussão de gênero fortalecendo meninas e mulheres.
Depreende-se, portanto, que o déficit de valorização brasileira no que tange ao esporte feminino pode ser combatido através de ações do Estado que promovam destaque dessas competições por meio de incentivos fiscais à iniciativas privadas que patrocinem times femininos, de forma que, além de incentivar a sociedade brasileira no consumo desse entretenimento, através do tempo proporcionará mudanças culturais na definição de feminilidade.